UM CASO DE AMOR IMPROVÁVEL NA NATUREZA

Foi noticiado recentemente pelo Jornal Diário do Pará um inusitado caso de amor. Trata-se da união de duas espécies absolutamente distintas de aves que vivem no Parque Zoobotânico (PZB) do Museu Goeldi, em Belém. Há mais de 100 anos recebendo netos, filhos, pais e avôs, o Parque se prepara para comemorar os seus 115 anos, garantindo o posto de uma das principais áreas verdes do centro de Belém. Além disso, o Parque funciona como um viveiro de animais da fauna amazônica, sendo responsável, muitas vezes, pelo tratamento de bichos apreendidos pelo Ibama, bem como berçário de diversas espécies que reproduzem no próprio PZB.

Mas, recentemente, um nascimento vem chamando a atenção dos veterinários do Museu: na verdade, um caso curioso, fruto do “amor” entre uma ararajuba (Guaruba guarouba) e uma ararinha maracanã (Ara nobilis).

A ararajuba é um psitacídeo (ordem de aves que inclui as araras, papagaios e periquitos) que só ocorre no Brasil. Por sua coloração verde e amarela e ameaçada de extinção, a ararajuba é considerada por muitos ave-símbolo do país. O PZB possui sete ararajubas: uma delas, Lola, se enamorou por Ligeirinho, uma ararinha maracanã, que também pertence à ordem dos psitacídeos. Para concretizar esse “amor” a ararinha teve, inclusive, que migrar do viveiro anexo.

O que intriga os veterinários é que, possivelmente, a relação entre os dois animais gerou um fruto. Há um mês, Lola teve um filhote que pode ser um híbrido entre a ararajuba e o maracanã. “Só poderemos precisar se é um híbrido ou não depois de se realizar os testes genéticos no filhote, ou quando houver maior empenamento do filhote, já caracterizando o indivíduo. Estamos apenas aguardando o retorno do pesquisador da UFPA que pode realizar o teste”, explica Messias Costa, veterinário do Museu Goeldi.

Para Messias, aliás, é plenamente possível que o filhote seja híbrido. A desconfiança aumenta quando se sabe que a ararajuba é um animal que forma casais fiéis por toda a vida. “Há a possibilidade da Lola ter acasalado com um animal da mesma espécie, embora forme casal com a ararinha. Esse tipo de arranjo “diversificado” [falando sobre o casal ararajuba/maracanã] é possível em grupos de psitacídeos mantidos em um só viveiro”.

O caso toma outros contornos quando se sabe que a reprodução de psitacídeos em cativeiro requer uma série de cuidados para o seu sucesso, como a busca pela afinidade entre os animais e a separação do casal em um viveiro isolado, o que torna a espontaneidade do caso mais interessante. Além disso, um outro animal começa a se envolver na história: os veterinários observaram que uma marianinha (Pionites leucogaster) já foi vista algumas vezes cuidando do filhote de Lola.

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