O DESAFIO DO AMOR

Realizado no Sesc Carmo, em São Paulo, o projeto "Filosofia de Bolso" discute paqueras e relacionamentos afetivos nos dias de hoje. Responsável pelo primeiro módulo, intitulado "A Invenção da Paquera", o biólogo Sandro Caramaschi admite que 'a paquera é mais ou menos uma invenção'. O ato de escolher e conquistar parceiros é realizado a partir de uma conjunção de fatores de diversas ordens - social, cultural, histórica e biológica. Ele abre uma série de seis temas - a paixão, o amor, o namoro, o ciúme, e o casamento. A próxima participação será do psicólogo Esdras Guerreiro Vasconcellos, que falará sobre a "Invenção da Paixão", no dia 20 de agosto. A dúvida sobre se a liberalização dos costumes desencadeada nos anos 1960 demanda novas formas de relacionamento é o ponto de partida para falar das atuais relações amorosas.

"Fragmentos de Um Discurso Amoroso" (Martins Fontes, 368 págs., R$ 45,80), obra do filósofo francês Roland Barthes (1915-1980) publicada em 1977, é a principal inspiração do projeto. Bebendo na fonte da psicanálise, sobretudo Lacan, e do marxismo, Barthes fala que o discurso amoroso hoje vive sob o fardo de uma grande solidão. O pensador afirma que o amor está apartado do exercício do poder, das linguagens existentes, dos saberes, da ciência, das artes. Ainda que relegado do cotidiano, como Roland Barthes afirmou, o amor continua no ar e a serviço da invenção de um novo modo de viver.

Docente na Unesp de Bauru, Sandro Caramaschi vai analisar 'o comportamento natural' dos relacionamentos, sem se prender apenas às dimensões cultural e individual das pessoas.'Existem princípios previsíveis na hora de escolher um parceiro', afirma. Caramaschi afirma haver características inerentes ao homem e à mulher. Ele dá um exemplo para cada gênero. O homem se guia pela atração física. Há um padrão no comportamento masculino: a procura de uma mulher com uma cintura que tenha 70% do tamanho do quadril. Já a mulher procura os homens espirituosos, que sabem contar piadas, porque isso é um indício de inteligência. 'Nessa perspectiva, os homens engraçados seriam mais capazes de arrumar um emprego, por exemplo', diz Sandro. Embora os relacionamento s tenham mudado na aparência, a estrutura deles permanece: eles continuam despertando as angústias e as dúvidas de antigamente.

Francisco Quinteiro Pires
A partir de reportagem de "O Estado de S.Paulo". Veja texto integral

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