SOBRE OS ENVELHECIMENTOS

Tenho catado pedaços de um amor
que se esfacelou por tanta dor.
Tenho juntado, recolhido, guardado
e num cantinho especial tenho colocado.

Não me importa se ele se desfez,
se ele não pode se recompor outra vez.
Basta-me ter seus cacos,
seus restos, seus pedaços,
bata-me carregá-lo nos braços
junto ao meu coração.
O que um dia foi bom
não pode ser ignorado
mesmo que o seu estado
já se apresente como terminal.

O que importa é que um dia ele foi especial.
Amores envelhecem como gente,
se desgastam diariamente.
Nem por isso abandonamos nossos idosos
afinal o amávamos quando eles ainda eram viçosos.
Amor velhinho e encarquilhado
também tem sua história e o seu passado.
E amor aos pedaços, assim como gente de idade avançada,
tem sempre algo pra ensinar
pois já percorreram uma longa estrada,
o importante é os escutar.

Com as pessoas idosas que eu conheci
muita coisa interessante eu aprendi
e com os amores que eu vivi
eu simplesmente descobri
que amar é como andar de asa delta,
apenas nunca se chega ao chão,
seu limite é o coração.

Por SIlvana Duboc

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