DESAFIOS DO AMOR À DOIS

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O que é o amor para você? A concepção de amor varia muito para cada pessoa e muda ao longo da vida. Sabemos que ele é a motivação principal que une os casais, principalmente após a metade do século 20.

No contexto de casal, persistem no mundo contemporâneo dois tipos principais de amor: 1) o romântico, no qual há o desejo de união, de um futuro junto com o outro, em que a vida sexual é muito importante; 2) o amor companheiro, típico das relações de longo prazo, que tem por base a amizade e a confiança. O que eles têm de comum? A exigência da exclusividade sexual – na paixão (primeira fase do amor romântico), o ciúme é mais presente.

Nos frequentadores do Facebook pode ser observada a “negação” do ciúme como uma atitude “politicamente correta” toda vez que o outro curte ou compartilha, repetidamente, a foto de um potencial rival. No imaginário da pessoa que nega o ciúme, sofrendo calada, pode acontecer a formação de um triângulo amoroso.

A verdadeira ausência do ciúme pode estar ligada à volatilidade atual dos vínculos afetivos. Na cultura do imediatismo, do individualismo, do descartável, a “fila anda”, e a pessoa logo retorna “à pista”.

As novas pesquisas mostram que casais que vivem o amor intensamente estando num relacionamento de longo prazo têm ativados, em relação ao parceiro, as mesmas regiões cerebrais da paixão (da motivação, do querer estar junto, ricas em dopamina), além das áreas relacionados ao apego e ao amor-amizade (área do gostar, ricas em opioides). Então, nesses casais, coexiste a ativação dos dois sistemas cerebrais.

Qual é o problema do amor companheiro? Nenhum. Ele é o mais frequente e traz paz e tranquilidade. Podem manter o amor intenso em relações duradouras: 1) predomínio de emoções positivas sobre as negativas; 2) presença de surpresas; 3) novidades gratificantes (acionam áreas ricas em dopamina, que é ligada à sensação de recompensa); 4) envolvimento profundo com o bem-estar do outro; 5) interesse sexual; 6) não atenção às possibilidades de outros parceiros (e de sexo extraconjugal).

O amor a dois é uma motivação, uma alquimia, uma construção. O amor é plural, mas cuidar do amor é uma decisão que vai demandar investimento e comprometimento constante.
Jacqueline Brender
A partir do Zero Hora. Leia no original
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Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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