O AMOR ENTRE IGUAIS AINDA É ALVO DE ÓDIO

No dia 11/11/12, a revista Veja publicou o texto "Parada gay, cabra e espinafre", do ex-diretor de redação, diretor editorial do grupo Exame e colunista das revistas Exame e Veja, José Roberto Guzzo. O texto se transformou no assunto mais falado das redes sociais e você deve ter cruzado com ele por aí. Na segunda-feira (12), o Deputado Federal (PSOL-RJ) Jean Wyllys publicou uma resposta ao artigo com o título "Veja que lixo!". Jean é conhecido defensor da causa gay e milita por direitos iguais na nossa sociedade.

Os textos são contrapontos e já deixou claro, desde o início, que quase passei mal ao ler o texto da Veja. Preconceito, dados usados de maneira mentirosa e um sem número de recursos para enganar o leitor estão presentes ali. Como Jean Wyllys define: "má fé conjugada de desonestidade intelectual".

É difícil entender como o amor pode transformar alguém em alvo de tanto ódio. Isso, o amor. O que difere homossexuais e heterossexuais é o gênero da pessoa que cada um ama. Heteros costumam se apaixonar por pessoas de gênero diferente do seu. Gays têm mais inclinação a amarem pessoas do mesmo gênero. Amor.

Muitas pessoas se escondem atrás da religião, moral e bons costumes para justificar esse comportamento contra o amor, o que torna tudo ainda mais difícil de engolir. A religião prega o amor ao próximo — cadê? A moral, que por definição é algo relativo a costumes, muda a cada ciclo que o mundo passa e está mudando mais uma vez. E os bons costumes... Vivemos numa sociedade em que bater em mulher, gay, idoso e criança ainda é aceito — não pela Lei, mas pela sociedade — e vamos falar mesmo de bons costumes? Falar na família brasileira que subjulga suas mulheres e agride emocionalmente suas crianças e velhos? São esses os pilares em que apoiamos nossas crenças?

E, de novo, como o amor pode incomodar tanto as pessoas? Tanta coisa horrível acontecendo por aí e é contra o amor que se decide lutar? Como a vida alheia mexe tanto com os ânimos? Como o que o outro faz reflete em você de maneira que você escolhe deixar o amor de lado e abraçar o ódio?

Amor é sempre amor. Entre homens, mulheres, casais... E aqui não falo de sexo, falo de amor mesmo. Falo de dividir os problemas da vida, ligar para dar boa noite enquanto não se mora junto e sonhar em construir um lar. Sonhar em ser uma pessoa melhor ao lado daquele que faz com que você sinta essa vontade imensa de transformar o mundo.

O que li no texto do Guzzo, na Veja, foi uma homenagem ao ódio. Ali estão dados mentirosos e opiniões baseadas em nada além do que gira ao redor do próprio umbigo do autor. Falta empatia, falta querer enxergar as causas do preconceito e da falta de amor. Falta amar o próximo como a si mesmo.

Não vou pedir, ao fim desse texto, que você ame mais. Isso deveria ser uma das suas metas diárias. Vou pedir que você respeite mais, que você tente se colocar no lugar do outro e que você pense em tudo o que gays não têm direito — eles não podem casar, não podem adotar crianças, não podem demonstrar amor em público pelo risco de serem agredidos e até mortos.

Um dos argumentos do texto mais triste que li nos últimos tempos é que não é possível explicar o que seria homofobia, que esse crime não poderia ser tipificado, "descrito de forma absolutamente clara". Eu tipifico, superficialmente, é claro, pra você: decidir o que você pensa sobre uma pessoa levando em conta sua orientação sexual é homofobia. Gostar ou desgostar de alguém só porque a pessoa é gay, é preconceito. Dizer que não existe homofobia no Brasil é como dizer que não há racismo, sexismo ou desigualdade social.

Se para a lei é necessário tipificar as coisas, para o amor não é. Com amor você compreende o outro, aceita seus defeitos, qualidade e orientações. Com amor você não busca estar sempre certo, mas deixar todo mundo confortável com suas escolhas, desejos, sonhos e características mais íntimas.

Um dia foi aceito ter escravos. Até pouco tempo era aceito fazer piada com deficientes. Ser mulher, há alguns anos, te deixava de fora da sociedade e fadada aos olhares julgadores. Crianças maltratavam umas as outras até se deixar sequelas emocionais sem que nada fosse feito. Idosos eram jogados para fora de casa como se essa fosse a única alternativa que as famílias podiam oferecer. Tudo isso mudou. Que tal dar mais um passo em direção da igualdade?
Só o amor muda o mundo e o transforma em um lugar melhor. Para todas nós.

Carol Patrocínio
A partir do Blog Preliminares. Leia no original
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Sobre Editor

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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5 comentários :

  1. Então vamos criar outro tipo de relação também, o homem vai se relacionar e casar com um bode ou cabra, ei deixa de preconceito, hoje vão me criticar, mas amanha vai ser normal o homem casar com uma carrinha, deixa de ser careta.

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  2. 1 - Desculpe Carolina, mas a senhora e o deputado Jean é que não entenderam a essência do texto do sr. José R. Guzzo. Fora algumas colocações, eu concordo plenamente com ele. Um homossexual não é diferente de mim; aliás, apenas a opção sexual. E apesar de não achar bonito dois homens ou duas mulheres juntos eu não sou homofóbica, como a senhora acreditaria.
    Não tenho raiva ou ódio de nenhum homossexual. E o fato de terem a opção sexual diferente e de eu não achar "bonito", não me faz desrespeitá-los em seus direitos; não me faz deixar de conversar ou ser amiga de um gay; não me faz deixar de votar nele em uma eleição, caso tenha boas propostas; não me faz deixar de sair com ele ou do mesmo frequentar minha casa e de apresentá-lo a todos. Eu não tenho problemas com isso. Não tenho vergonha de estar ao lado de um homossexual. Não tenho problemas em amar como irmão (o que deveria ser natural) uma pessoa que tem a preferência sexual diferente de minha. Afinal de contas, também sou uma pessoa diferente, e ele também pode não gostar de alguma coisa em mim. Mas isso não deve ser motivo para brigarmos e nos separarmos, muito pelo contrário: este é um motivo a mais para nos honrarmos! Afinal, a diferença é bela! E a diferença de opção sexual, religião e afins deve ser preservada e respeitada! Não direi a você, Cristina, que o preconceito contra eles e outros "grupos" não exista. Mas tenho certeza que uma parcela considerável de brasileiros pensam e sentem da mesma forma que eu. A questão é que, num país/mundo com tanta violência e desrespeito, não são só eles que pagam o pato: somos todos nós! Não quero dizer que a violência contra eles e outros deve ser esquecida, mas criar leis específicas e colocar como centro determinados grupos é que é preconceito. E é aí que reside o atrito:"Por que o governo se esmera tanto em punir os criminosos e criar leis sobre a violência homossexual quando se esquece da violência contra o resto da população?" "Já não existem leis sobre violência que abragem todos nós?" "Por que, com relação a eles, os culpados serão punidos e com uma certa rapidez e conosco não acontecerá a mesma coisa?" É isso o que as pessoas heterossexuais não entendem. Porque, como já coloquei, para uma parcela significativa da população não há esse muro tão alto que a mídia construiu.

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  3. 2 - Mas eu entendo. Isso faz parte de um plano sujo do poder mundial para nos padronizar. É inserido uma ideia no meio, faz-se bastante "merchan" em cima, pega-se desprevenidas pessoas que aceitam de pronto a ideia, e depois, quem não concorda é homofóbico ou preconceituoso (sim, porque essas ideias fabricadas que nos são despejadas não são somente sobre homossexuais, elas abrangem vários grupos e setores)! Dessa forma, a longo prazo, o poder vai conseguir acabar com as diferenças e nos padronizar, todos unidos pensando da mesma forma, como robozinhos! E se todos pensam igual, é muito fácil nos manipular!
    Se todos pensarem de igual forma não haverá liberdade; ela só pode existir se houver diferença de opiniões, de culturas, e de respeito às mesmas! Só assim, se em determinado grau de evolução, meus pensamentos não estarem mais de acordo com aquilo que vivo, eu terei a opção de mudar para outro! Mas, se pensarmos e agirmos da mesma forma, e se pensar/ser diferente for errado, para onde escaparei? Vê como é sutil a manipulação?
    Engana-se quem pensa que o que nos torna iguais são os direitos. O que nos torna iguais é a DOR. Somente a dor é a mesma para todos. A dor de ver um heterossexual sendo humilhado é a mesma dor que a de ver um homossexual humilhado; assim como a dor de ver um homossexual sendo espancado é a mesma de ver um heterossexual espancado. Como não se sensibilizar pelos dois? Ó Deus, os dois fazem parte de mim. Os dois são meu corpo, se seus corpos são espancados e humilhados, o meu também o é!

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  4. 3- Continuando, é com a mesma dor e sofrimento que recebemos a notícia da afegã Aisha, que teve a orelha e nariz decepados pelo marido, assim como o espancamento do estudante homossexual Willian dos Santos, que teve dentes quebrados, face desfigurada e hematomas por todo corpo; ou então, a onda de assassinatos de policiais em São Paulo e o espancamento da artista plástica, Elisa Riemer, pelo próprio irmão em Maringá. É através do sentimento universal da dor que nos conectamos e nos respeitamos; é a partir dela que nasce aquilo chamado de "amor ao próximo", pois se dói em você, posso pensar em como seria a dor para mim.
    Aí eu vejo a Parada Gay, com as lésbicas, gays, travestis, transexuais e simpatizantes, e fico pensando: por que não os eles, que hoje estão no centro, não levantam a bandeira da dor, lutando contra a violência de todo país, por exemplo? Não só falando da dor deles, mas da dor de todos? Até porque eles vivem no mesmo país que nós; estão sob o mesmo sol; é dever deles, já que não são extraterrestres, lutarem pelas nossas crianças, pelas nossas mulheres, nossos idosos, contra a corrupção, enfim...eles também tem família, amigos e topam com desconhecidos! E também pagam impostos (e quanto impostos pagamos!) e ralam no trabalho...e sonham com um amor e com uma vida melhor... Tenho certeza que seria um evento grandioso e que levaria multidões às ruas (eu também estaria lá)! Seria bacana também se estivéssemos cada um travestido com sua "bandeira", seja como uma religião, uma entidade ou determinado grupo, não para brigarmos e nos dividirmos, mas para mostrar que temos "capas" diferentes, porém a dor da violência nos une! E unidos, exigirmos do nosso governo que tomem medidas de verdade para conter tanta violência. Fico imaginando a cara dos governantes; eles iriam ficar de boca aberta, não? Ficariam imaginando "mas o que fizemos de errado? Tanto que lutamos para eles se separarem e se odiarem e agora eles estão todos juntos, tentando se respeitar, e exigindo que nós solucionemos os problemas! Se eles continuarem assim, não teremos para onde correr...." Um sonho? Pode ser, mas não impossível.
    O problema é que enquanto as pessoas continuarem caindo no "plano de vitimização de determinados grupos" do governo nada irá mudar, e o sentimento de raiva e descaso por não sermos ouvidos continuará, mas só que bem fechado dentro de nós, pois pensar diferente é preconceito.

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  5. 4- Não é errado focar o problemas com os homossexuais e desenvolver projetos que os ajudem, a questão é como tudo é operacionalizado pelo "plano" governamental, colocando aí também os negros e as mulheres, por exemplo. Se você vitimiza uma pessoa, colocando ela como "coitadinha" (me desculpe, mas acho que é o que esse "plano" faz) você tira todo o poder de mudança que está dentro da pessoa. Você diz que ela não tem as rédeas da própria vida. E o pior: você insere na mente dela que os outros tem que mudar, para aí então ela poder mudar e ser feliz! E você a coloca dependente de certos benefícios, que vem com o rótulo de "você sofreu muito, então vou colocar algumas vagas pra vocês na universidade!" É dessa forma que o governo honra os homossexuais, negros e estudantes de escolas públicas? Isso é ridículo! Apenas algumas vagas que irão beneficiar poucos. Daí esses "grupos" ficam com a ideia de que estão fazendo algo por eles. Imagina, colocando remendo novo em tecido velho! E as escolas continuam sucateadas e o preconceito permanece.
    Houve bastante surpresa na vitória de Dilma Rousseff e de Barack Obama. Ambos, mulher e negro, como presidentes de um país. Para mim, algo muito natural uma mulher ou um negro na presidência, apesar de muitos exaltarem suas características físicas com a relação à dificuldade de se chegar a um cargo tão alto. Tenho certeza que eles enfrentaram muitos problemas com relação ao seu sexo e cor (sim, o preconceito existe), mas eles não são vítimas nem coitadinhos! Eles dispõem das mesmas armas que eu e você para lutar e conseguiram chegar lá, acreditando em seu potencial de mudança e superação! E agora, por que não um homossexual na presidência? Se ele tivesse um bom plano de governo e se comprometesse com a sociedade, teria todo meu apoio. E se a vitória acontecesse, novamente seria algo natural para mim. Agora nada dessa história: "ah coitadinho, ele tem que estar mesmo na presidência, sofreu tanto por ser gay!" Báhhh...ele tem que estar lá por merecimento, por que é uma pessoa boa e está disposto a lutar por todos nós e não porque tem uma "capa" diferente, assim como os dois presidentes já mencionados.
    E é dessa forma, com este pensamento que eu honro o ser humano homossexual, alguém tão diferente, mas ao mesmo tempo tão igual a mim!

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