A VIDA A DOIS E O CONFLITO ENTRE OS MUNDOS

Preservar o início do romance pode evitar problemas futuros

Não é fácil. É muito difícil acertar os ponteiros com alguém, partindo do princípio de que o amor é um fato. Amor é fundamental, mas pode ser o que lhe tira o sono, dependendo da situação. Planos para o futuro precisam ser convergentes, a questão de ter ou não filhos, cachorro ou gato, casa ou apartamento. São muitas as definições e acordos e eles tomam tempo e roubam um tanto da sua tranquilidade. Além disso, há a constatação necessária de que ninguém começou a vida no dia em que o romance teve início. Todos têm uma bagagem, por menor que seja, e ela precisa ter espaço nesta nova vida.

O antigo relacionamento - e como ele acabou - pode pautar, e muito, as proposições para uma nova história. O assunto fica mais delicado quando existem os antigos parceiros e se, com eles, estão os filhos. Estes não ficam no passado. Ficam no quarto ao lado ou muito próximos. E há também os amigos e parentes com suas simpatias e idiossincrasias. Já vi casais apaixonados e afinados se perdendo por que um não dava certo com os filhos do outro ou por que as famílias minavam, querendo ou não, a relação. Também já vi casais se afastarem quando um queria filhos e o outro já os tinha. Até mesmo a decisão de não morar junto, sem nenhum prejuízo do afeto, pode ser motivo para finais melancólicos. Cada um tem seu mundo, com seus personagens e o encaixe do outro neste mundo é delicado - às vezes impossível. E se o encontro do afeto não se repete no pragmatismo da vida, o que fazer? 

Seria prudente se todo romance, mesmo os mais furtivos, ficassem restritos à intimidade das alcovas e dos jantares e passeios a dois por, pelo menos, digamos, três meses. Sem amigos por perto, ou parentes, sem ter que tomar decisões sérias e sem a necessidade de assumir compromissos públicos. Preservar o que ainda não se sabe o que é como se protege um recém-nascido. Muito do que pode vir a ser um sério conflito já poderá ser vislumbrado neste período maravilhoso que é o começo. E se, ao final do período de experiência, a previsão for de sérias confusões à vista, pelo menos o começo terá sido uma bela aventura íntima. Isto pode ser o esteio para as coisas que virão. Ou algo valioso para se lembrar.
Léo Jaime
A partir do GNT. Leia no original
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Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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1 comentários :

  1. Esse ai escreveu bem!
    Tai alho bom de se ler!
    Construtivo!!!!

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