JOVENS INDIANOS DESAFIAM 'LEI DAS CASTAS' POR AMOR

Cerca de 200 casais indianos procuraram casas de abrigo durante o último ano, após terem fugido das suas famílias, que os obrigavam a um casamento de conveniência com noivos que nem sequer conheciam. A reportagem da BBC visitou um destes refúgios do amor, no estado de Haryana, onde se podem encontrar dois a três casais por cada quarto e um polícia armado à porta. "O amor tem de esforçar-se quando não há espaço ou privacidade" contou o jovem Harjinder, de 21 anos, que vive ali com a sua noiva, Navjot, da mesma idade, cuja família apresentou queixa na polícia, alegando que ele a tinha raptado.

As histórias impressionam. A jovem Krishna, de 19 anos, apaixonou-se por Sonu, de 22, mas ele pertence a uma casta (classe social na Índia) mais baixa. A família tentou impedir o namoro e até lhe arranjou um casamento com outro homem que desconhece.

No início de julho, durante a noite, Krishna fugiu de Saharanpur e apanhou um autocarro para a casa do namorado. Casaram-se na manhã seguinte e foram a um tribunal procurar proteção. Em muitas zonas da Índia, os jovens que se casam sem autorização dos pais podem ser mesmo condenados à morte para voltar a dar honra à família. Questionada sobre se a família poderia matar o seu marido por pertencer a outra casta, Krishna respondeu: "Sim, eles podem. É muito fácil obter uma arma. Matar alguém não é difícil na minha aldeia".

O tribunal ordenou à polícia local que desse abrigo aos pombinhos numa das muitas habitações que as autoridades possuem para casais em fuga. Um sinal que algo está a mudar na Índia, à custa destes jovens que lutam contra normas sociais seculares.

Shallu, de 22 anos, e Subhas, de 27, são um bom exemplo disso. Há dois anos, a rapariga pediu amizade ao jovem no Facebook. Três meses depois, conheceram-se num café em Ambala, onde ela vivia. "Tivemos sorte. Tornámo-nos amigos e depois namorados», contou Shallu. Quando a família descobriu, tirou-lhe o telemóvel e prometeu encontrar-lhe um marido 'rico e giro'". Mas não era isso que ela queria.

A jovem fugiu no dia 22 de maio, foi de autocarro para Karnal e casou com o seu amado. Ainda hoje vivem na mesma casa de abrigo e a perseguição continua: recentemente, a família dela foi a casa da família dele pedir que "devolvessem" a rapariga, tendo mesmo realizado ameaças de morte. "Poupei ao meu pai um milhão de rupias que ele tinha guardado como dote para o meu casamento. Eles deviam estar contentes, não?", brincou a rapariga.

Quem explica bem esta prevalência do amor sobre a tradição é Himani, que se apaixonou por Keval, embora este pertença a uma casta mais baixa. "Nunca tivemos sonhos ou esperanças de nos apaixonarmos. Agora sei que foi a melhor coisa que nos aconteceu. Apaixonar-me mostrou-me como as castas são horríveis", explicou a jovem Himani.
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