O QUE ESPERAMOS DO OUTRO? O QUE ESPERAM DE NÓS ?

Sabem aquela sensaçãozinha horrível que chamamos de dor de cotovelo? É dura não é? Lupicínio Rodrigues, o grande compositor, foi o inventor do termo dor de cotovelo. Essa expressão não significa inveja, refere-se à prática comum nos bares, do homem ou mulher que se senta ao balcão, crava os cotovelos sobre ele, pede uma bebida, faz bolinhas com o fundo do copo e chora o amor que perdeu. Ela retrata a boemia, os homens e mulheres abandonados, os amores impossíveis, os sonhos, a rotina em que traição e amor andam abraçados, enfim, o orgulho desmedido de quem afoga as mágoas na mesa de um bar.

Nós nos identificamos com essas músicas, temos o mesmo pieguismo; achamos lindo sofrer por amor; acreditamos que realmente somos vítimas da indiferença do outro, da falta de compreensão para com nosso afeto. Olhe para você, veja as músicas que escolhe escutar e o quanto gosta daquelas que cantam a dor e a desilusão, o impossível, a solidão, a decepção... Perceba o quanto crê que as pessoas são vítimas umas das outras.

Todos nós, um dia, já nos apaixonamos, já nos desiludimos. Aí saímos com aquela cara de vítima, inconformados com o fato da pessoa não ser como queríamos que fosse. Surgem, então, as decepções: Por que ela não é como eu pensei que fosse? Como a vida permitiu que ela fizesse isso comigo? Eu confiei tanto e olha agora! 

Será que realmente fomos vítimas? Será que realmente o outro nos decepcionou? O que fazer? O que está acontecendo conosco? Nas duas situações, tanto na indignação quanto na apatia total, o que temos na verdade é a não aceitação da vida, das pessoas... Por que nos decepcionamos tanto, se nem mesmo nós somos como nos imaginamos? Por que uma situação assim? É importante olharmo-nos com mais atenção, pois estamos onde nos pusemos! É verdade, a responsabilidade é nossa, não somos vítimas, atraímos situações conforme nossas atitudes interiores.

Primeiro, morremos de raiva do outro; depois, morremos de raiva da vida e, por último, morremos de raiva de nós mesmos, porque não adivinhamos o que aconteceria. A revolta então toma conta, ou a colocamos para fora, explodimos, choramos, fazemos escândalo, ou, recolhemos tudo o que estamos sentindo e implodimos, nos arrebentamos, nos levamos para um buraco – o fundo do poço, como costumamos dizer. Entramos naquela de coitado de mim e não resolvemos nada.

Reflita comigo: Quantas vezes, também, você não foi para o outro, o que ele esperava de você? Quantas vezes você foi motivo de desilusão para alguém, mesmo sem querer ser? Quantas vezes não conseguiu carregar sobre as costas, as expectativas que o outro tinha de você?

Percebe que estamos tão acostumados a cobrar do outro, que nem cogitamos a possibilidade de estarmos provocando nele a mesma sensação? Ou será que você é daqueles que nunca errou? Que jamais viveu uma situação, em que tenha cometido um deslize sequer! Será que você é mesmo um modelo de perfeição?

Não somos capazes de perdoar o outro, simplesmente porque não somos capazes de nos perdoar. Vivemos na ilusão de sermos o máximo, e quando a vida nos mostra que não é bem assim, achamos que fomos traídos, mas na verdade, já tínhamos ido contra nossa natureza há muito tempo. Rejeitamos a vida e nós mesmos, acumulamos uma série de decepções e vamos morrendo aos poucos, desiludidos, doentes, somatizando nossa fraqueza interior.

A saída é nos encarar, conseguir nos aceitar do modo como somos, assumir a responsabilidade sobre nossas atitudes... Assim vamos aprendendo que o poder é nosso e, sendo assim, as escolhas também. É preciso um pouco de modéstia, encarar que fazemos uso indevido de nossa imaginação, querendo ser algo que não somos. Além disso, recusamos entender e aceitar as pessoas como elas são, e que a realidade depende de como nos colocamos dentro de nós mesmos!

Depois que fizermos tudo isso, poderemos modificar as situações. Depois que descobrirmos o que de verdade somos, poderemos lidar com a realidade, livrando-nos dos medos, das culpas, das preocupações e da angústia. Ao nos validarmos, ensinamos a vida a nos validar também. Tornamo-nos perfeitos sendo o que realmente somos!

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Sobre Editor

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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