ENCONTREI O AMOR ESCRITO NAS ESTRELAS

Eu me chamo, hoje, Maria Campbell. E  fiz para vocês um resumo de minha história de amor. Li recentemente o post da Ruth Aquino sobre Cupido virtual, e também a coluna do Ivan Martins, em epoca.com.br, com o título Onde se acha o amor – é preciso estar no lugar certo pra que o destino ajude.

Ivan escreveu que, “apesar da existência da internet, os encontros amorosos ainda ocorrem no mundo físico. É preciso sair de casa, conhecer pessoas e dar ao destino uma chance de fazer algo por nós. Quando, na noite de sábado, a garota sem namorado decide ir a uma festa com os amigos, em vez de ficar em casa fuçando os perfis dos outros no Facebook, está fazendo um cálculo preciso: onde é maior a chance de conhecer alguém? Está provado, estatisticamente, que o amor não é um homem estranho que bate na porta com um ramo de flores, uma camisinha no bolso e um bilhete de avião para Paris.”

Concordo. O destino tem que ajudar.

Conto agora a vocês o que aconteceu comigo…e com o Greg.

Escrito nas estrelas

This album is dedicated to anyone who still believes that anything is possible. (Este album é dedicado aos que ainda acreditam que tudo é possivel)

Esta frase introduz o album de casamento que meu marido fez e me deu no Natal de 2009, o ano em que nos casamos oficialmente em Vancouver Island, Canadá.

Rio de Janeiro, setembro de 2005:

Aos 53 anos, saindo de um relacionamento complicado de cinco anos, chego à conclusão de que não existe homem no Brasil disponível para mulheres como eu, exigentes e na minha idade. Tudo bem, não preciso de homem nem vou procurar. Só que, num momento de carência, às 2 horas da manhã, resolvo que quero conhecer um inglês e morar na Inglaterra, país que adoro. Ainda não existe rede social.

Dou um Google e digito “UK chat”. Faço um cadastro, crio senha e o nick name “bridgetbrazilianjones”. Na sala de bate papo, a primeira abordagem e as que se sucedem são perguntando minhas medidas e minha idade, com aquela linguagem abreviada de internet que sempre detestei. Ignoro. Já estou desistindo (e com sono), quando um tal de “macmac”, escrevendo com todas as letras e mostrando um agradável senso de humor, me chama atenção. Converso um pouquinho no meu péssimo inglês de então, e descubro que temos a mesma profissão, e que ele não é inglês, é canadense.

Cansada, dou um endereço de email criado na hora de me cadastrar no site, onde não coloquei meu nome verdadeiro. Mando uma foto de viagem, tirada na porta de um restaurante em Montmartre.

No dia seguinte, uma mensagem começando assim:

A red-hot Brazilian in Paris in July? Sounds like a dream come true… With those smoldering looks of yours, you no doubt drew the attention of those garish French men… I, on the other hand, would have been more subtle. I would have seduced you with my eyes – catching your glance as you sipped Chardonnay at an outdoor café, painting you from head to toe with my gaze – biting my lip from the intensity of the thought of being with a woman such as you…

E por aí foi, uma carta enorme, bem escrita, cheia de sutilezas, de imagens construídas, romântica e engraçada ao mesmo tempo, e eu gosto dele. Fico seduzida pelo texto, mas e o resto?

Por mais 3 meses trocamos emails. Todos os dias. Era apenas uma troca de experiências de vida, de opiniões, de informações sobre nossos países, costumes, conversas simples, divertidas… Minha cor preferida? Qual era a cor do uniforme da polícia no meu país? Ele me dizendo que nunca tinha visto a constelação Cruzeiro do Sul… Quando meu aniversário estava chegando, me perguntou se no Brasil a gente colocava velas em cima do bolo. Respondi brincando que não, colocávamos bananas…

Depois, poemas. Lindos. Em dezembro, no meu aniversário ele me telefonou. Quando ouvi a voz dele, quase desmaiei. Como se fosse uma cena de cinema, ouvi um homem (quase) desconhecido dizendo pra mim “Happy Birthday”, “I love you”… A essa altura, creio, já estávamos apaixonados. Era um encontro de almas. Em nossas mensagens por email estávamos totalmente despidos de qualquer preocupação com aparências ou comportamento social. Podíamos falar qualquer coisa que desse na cabeça, afinal estávamos a 11 mil quilômetros de distância, em países diferentes…

Okay, pensei, isso não é real, tenho que ver esse cara “no mundo físico” ou parar com essa loucura virtual. Sugeri um encontro num campo neutro entre Canadá e Brasil. Meu visto para os EUA estava expirado.

Aruba, 1 de abril de 2006: Vestida de vermelho, a cor combinada previamente entre nós, espero a chegada dele no aeroporto. Não sei se sou capaz de reconhecê-lo, já que só o conheço por fotos. Pelas fotos, ele não parece bonito e não dá pra saber se é alto ou baixo… Os minutos vão passando e a cada passageiro que cruza a porta escura da chegada, meu coração dispara. Durante a longa espera, a ansiedade aumenta. Lembro do espanto de alguns amigos no Brasil quando contei que ia encontrar o meu amor virtual. Uma prima me chamou de louca, afinal ele podia ser um psicopata, e eu estaria numa ilha sem ninguém para me socorrer, ela disse. Mas eu confiava tanto nele. Conhecer por cartas na internet tem uma vantagem: a gente se revela de uma maneira mais profunda talvez do que numa conversa ao vivo. Eu continuava esperando no aeroporto: 40 minutos e nada… Chego a imaginar que tudo possa ser uma brincadeira de primeiro de abril… Tudo bem, este lugar é paradisíaco, estou hospedada num hotel na praia, cheio de gente legal, e se ele não aparecer vou curtir assim mesmo. Será?

Eis que a porta se abre e o reconheço de imediato. Alto, bem vestido, charmoso, enfim, aos meus olhos um príncipe. Ele corre em minha direção, para, me olha nos olhos e me abraça. A partir desse momento tudo parece um sonho. Na primeira noite, jantar à luz de velas, vinho, caminhada na areia sob o céu estrelado, Cruzeiro do Sul.

Foram 7 dias no paraíso. Mergulhos no mar, beijos ao por do sol, top less na praia, drinks coloridos, peixes embaixo d’água e muita, muita conversa. Entrosamento total na cama e fora dela. (afinal, quando conhecemos alguém virtualmente, paira sempre uma dúvida: haverá química entre nós no mundo real?)

Temos que voltar pra casa. E agora? A despedida é devastadora. Choramos copiosamente. Será que nos veríamos de novo? Nossas vidas reais eram tão longe, tão diferentes…Quando ele chega ao Canadá me escreve dizendo que não pode mais viver sem mim e que vem ao Rio dois meses depois.

Assim começamos a nos encontrar a cada três meses. Eu passando temporadas no país dele, ele passando férias no Brasil, uma viagem a Londres e Paris, até que, com as respectivas vidas rearrumadas, decidimos nos casar. Depois de três anos de vaivém na rota Brasil – Canadá, achamos melhor eu ter algum “status” no Canadá.

Vancouver Island, 17 de julho de 2009: Numa cerimônia simples, casamos oficialmente na presença dos pais, filhos, irmãos e cunhados do Greg, minha filha e alguns amigos que vieram do Brasil. Foi no jardim da casa dos meus sogros, fiz questão de que fosse à beira-mar. Usei um vestido da brasileira Mara Mac e o buquê era de hortênsias colhidas no próprio jardim (na foto que abre este post). Cumprimos todo o ritual. Teve marcha nupcial, troca de alianças, votos – que eu precisei repetir no meu inglês cheio de sotaque – e a clássica frase dita pelo juiz de paz: “Now… I pronounce you husband and wife… You may kiss the bride”. Foi lindo!

Todos chorando de emoção e depois um banquete regado a champagne. Também não faltaram o bolo e o brinde com os braços entrelaçados…Na manhã seguinte, ao acordar, fui surpreendida com um “Good Morning, Mrs Campbell!” Fiquei toda prosa…

Ainda somos felizes e apaixonados. Se é para sempre, só o tempo dirá. Para os que perguntam "Onde se acha o amor", eu diria: Sei lá, deve estar escrito nas estrelas…

Maria Campbell
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Sobre Editor

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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1 comentários :

  1. Linda sua história, eu ainda sonho viver um grande amor, e vou viver. que seja eterno enquanto dure. Boa sorte

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