DESCOBRIR O AMOR 90 DIAS ANTES DE MORRER


No filme ‘Inquietos’, o cineasta Gus Van Sant  fica a meio caminho entre o caráter experimental dos enquadramentos e das imagens (como em ‘Elephant’, ‘Last Days’ ou ‘Gerry’) e os dramas convencionais e comprometidos com o melhor dos cânones da indústria (como em ‘O Bom Rebelde’ ou 'Milk'). Nesta produção, ele cria uma fantasia romântica marcada pelos fantasmas. E o maior de todos é a morte prematura.

No tom de melodrama sensível, este pequeno filme assume desde cedo a sua modéstia e prefere incidir no tom confessional de um casal de jovens que se apaixona quando ela descobre que sofre de um cancro mortal.

Ao contrário do esperado, não é o sensacionalismo da dor que prevalece, mas antes a tocante relação de duas pessoas que percebem que foram feitas uma para a outra. Vivendo momentos de grande intimismo, os simples detalhes sentimentais e as manias que definem a personalidade.

‘Inquietos’ conta-nos a história de Enoch que tem por hábito assistir a velórios de desconhecidos. Num deles, cruza-se com Annabel, uma jovem que sofre de cancro, mas que não quer que o medo da morte lhe determine os últimos 90 dias de vida. Em conjunto, o par protagonista vive mais o dia-a-dia do que o dilema da doença, partilhando curiosas experiências e deixando-se levar pelo doce sabor da intimidade. Há ainda uma história de fantasmas (nem sempre bem explorada…), jogos de batalha naval, uma noite de Halloween para mais tarde recordar, ou uma paixão por xilofone.

Envolvendo o público, a mensagem passa sem pressões: ‘carpe diem’, parecem gritar a plenos pulmões os dois protagonistas. Na pele dos papéis principais está Henry Hopper (filho do actor Dennis Hopper), que mostra-se à vontade na pele do jovem confuso mas de boas intenções; e ela é encarnada por Mia Wasickowska, a ‘Alice no País das Maravilhas’ de Tim Burton,  um rosto da nova geração. 

Num tom delicado, ‘Inquietos’ torna-se numa agradável ode à vida. Sem se perder em planos muito arrojados, aposta mais nos diálogos e não desdenha dos seus enquadramentos. Tudo ainda combinado com uma trilha sonora de excepção, por onde passam nomes como Sutfjan Stevens. Assim, o fatal destino, anunciado ainda no início do filme, chega de maneira natural e até nesse desfecho o diretor consegue manter o tom: o plano final é dos mais simples e tocantes dos últimos tempos.
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Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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