Em dezembro de 2009 eu fiz uma tatoo com o nome dele no meu braço. Até hoje não sei porque que eu fiz aquilo, só sei que fiz, e um dia o Diogo ficou sabendo dessa tatuagem e ficou louco de raiva. Não era a minha intenção ter provocado, aliás o que menos queria era isso, queria distância.

Bem, vou me referir a esse moço como “Personal”. Prefiro manter em segredo o nome dele.

Tinhamos combinado de nos conhecer no final do ano. Eu ia passar uns dias na casa da minha avó materna que morava na cidade ao lado da dele e estava tudo certo. É claro que a gente já tinha se visto pela webcam e continuávamos conversando diariamente pelo MSN. Arrumei minha mala no dia 29 de dezembro de 2009, já que ia sair no outro dia logo pela manhã, só que na madrugada minha avó paterna que morava conosco passou mal. Ela tinha problemas de coração e faleceu nesse dia. Pra mim foi uma perda dolorosa, mesmo porque ninguém esperava, já que ela estava bem no Natal. Sofri muito com isso e me esqueci de tudo. Quando foi à tarde, recebi uma mensagem no meu celular do “Personal”, perguntando se eu já tinha chegado. Respondi que minha avó tinha falecido e na segunda-feira entrei no MSN para conversar e contar os detalhes. Ele me confortou e foi muito carinhoso comigo, mas acabamos não nos conhecendo como combinado.

Em janeiro de 2010 tive a minha formatura e, portanto, só em fevereiro estava mais tranquila e voltei ao assunto da gente se conhecer. Num impulso, decidi ir à cidade dele pra gente se conhecer. Não era muito longe e em uma hora e meia de carro estaria lá. Passei no trabalho da minha amiga e pedi pra ela ir comigo, mas ela me disse que não podia me acompanhar. Acabei indo assim mesmo e, quando estava chegando perto da cidade, liguei e disse que estava chegando, mas ele ainda estava no trabalho e tive que ficar esperando num posto de combustível. E estava no celular conversando com o “Personal” quando Diogo apareceu.

Ele tinha me seguido até ali e estava atrás de mim ouvindo minha conversa. Só lembro que o “Personal” perguntou em que posto eu estava e, quando fui responder, Diogo pegou meu celular e desligou. Gelei de susto! Fazia muito tempo que eu não ficava assim sozinha, cara a cara com ele. Diogo me pegou pelo braço me colocou no carro dele. Estava bastante nervoso e fiquei muito assustada, não esperava isso; não estava acreditando no que estava acontecendo. Daí, ele começou a gritar, me perguntando onde eu e o “Personal” iríamos nos encontrar e que era para levá-lo até lá, pois ia matar aos dois. Foi assustador.

Diogo mostrava um revolver para mim, me xingava , gritava e me batia com o carro em movimento, correndo muito, até que parou no meio de uma plantação. Pensei que ia me matar. Ele colocou o revolver em cima do carro e começou a me bater, a bater muito. Queria saber do “Personal” e eu disse que não falaria nada, foi a única coisa que eu disse. Depois disso ele me bateu mais ainda, senti dores terriveis, cai no chão e ele me chutava muito, ele batia a minha cabeça no carro; parecia possuído, nunca o tinha visto assim. Por fim, desmaiei, mas continuei sendo violentamente agredida. Quando acordei estava anoitecendo. Estava jogada no chão, sozinha, longe de casa e com meu carro lá naquele posto de gasolina. Pra quem que eu ia pedir ajuda, como eu iria sair dali?

Tentei levantar várias vezes e não conseguia. A dor era enorme, pois estava com uma costela fraturada. Entrei em desespero e comecei a engatinhar no meio daquela plantação. Sentia espinhos entrarem nas minhas mãos e nos meus joelhos. Jamais vou me esquecer daquelas dores. Ficava tentando achar uma saída, mas estava cada vez mais escuro, não dava pra ver nada e nem sei como consegui chegar a uma estrada de terra. Vi meio longe um farol de um carro vindo em minha direção. O motorista parou e me levou até o posto onde estava meu carro e eu pedi pra ele ligar para o meu pai. Não demorou muito meu pai apareceu lá aflito e, quando me viu, eu mal conseguia abrir os olhos, mas eu vi a raiva em sua fisionomia.

Voltamos pra minha cidade e fui direto para o hospital. Tive várias fraturas na costela, levei vários pontos no rosto, na boca, e quando me olhei no espelho parecia um monstro. Meu ex-marido acabou com o meu rosto, meus braços, minhas pernas, barriga, tudo estava irreconhecível. Ainda tentava entender todo que havia acontecido quando chegou a notícia de que Diogo havia se suicidado com um tiro na cabeça.

Policiais entraram no quarto do hospital onde eu estava e me deram uma carta, uma carta do Diogo, onde ele me pedia perdão por tudo, e lá ele dizia adeus. Contou que só assim iria conseguir me deixar em paz, que era mais forte do que ele tudo que sentia, mas que eu devia acreditar que fui a única mulher que ele amou. E, pela primeira vez, falou de nossa filha. Disse: “Eu sei que o nome dela é  **** . Lindo nome. Sei também que ela se parece com um pouco de cada um de nós. Eu nunca a vi, mas a minha mãe me falava sempre dela”. Me pediu ainda para cuidar bem dela, que não merecia ter um pai como ele, que não iria fazer diferença conhecê-lo ou não, pois como pai e como ser humano não tinha nada pra oferecer a ela. Foram essas as últimas palavras dele...
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Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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5 comentários :

  1. NOSSA..INCRIVEL ESSA HISTORIA

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  2. coitada dessa moça hein,como sera q ela se encontra nos dias de hj,ate q ponto pode abalar uma pessoa qdo se vive tdo isso?
    fica ai essa pergunta..

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  3. vai saber né como ela está ,espero q esteje bem , mas existem pessoas extremamentes fortes deve ser o caso dessa moça.

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  4. Em quantas partes vão ser hein,nossa to ancioso , + nao posso deixar de comentar sobre essa historia tb
    meu como um homem pode fazer isso tdo com uma mulher ,imagina sua mulher , e a mae de seus filhos
    e o pior é q tem muitos canalhas assim por ai
    isso é revoltante

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  5. Esta história é irreconhecível ,ouvi essa historia da propria Raquel em um testemunho dela no centro,tive o prazer de conhecer ela no centro espirita onde eu frequentei por algum tempo,tenho certeza que se trata da mesma pessoa.Espero que ela esteje bem porque ela realmente merece,uma pessoa linda ,tanto por fora como por dentro,uma simpatia em pessoa , o olhar e o sorriso dela era algo divino ,sempre nós faziam um bem enorme conversar com ela.
    Ela é um exemplo de derteminação e caráter.

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