UM AMOR DE 72 ANOS QUE DESAFIA O TEMPO

Imagem meramente ilustrativa
Há amores sublimes que podem desafiar o tempo e a modernidade. As pessoas conseguem se conformar com o fato das palavras valerem pouco ou quase nada. Frases como ‘minha vida’, ‘você é especial’ e ‘não importa o que aconteça’ não possuem o mesmo significado de antes. Mas, desde cedo, aprendi que nem todos os amores são efêmeros. Meus bisavós nasceram nos arredores de Itapipoca, se conheceram ainda crianças, estudaram juntos, namoraram por três anos, casaram-se no dia nove de setembro de 1939 e estão unidos em matrimônio há 72 anos. São bodas de aveia do casal Florência Ferreira Moura, 96 anos, e Antonio Barbosa sobrinho, 95 anos, ostentadas com muito orgulho por todos os filhos, netos e bisnetos. Afinal, o amor deles é tão sublime que comove até corações insensíveis.

Amor que dá, sem exigências. E sem solicitações, aceita o que lhe é dado. Amor que supera o fantasma do passado, a dificuldade do presente, o medo do futuro. Sentimento como aquele cantado na carta de São Paulo aos Coríntios. É paciente, é bondoso; não é invejoso, não é arrogante, não se ensoberbece, não é ambicioso, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda ressentimento pelo mal sofrido, não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. E serve como exemplo para vários casais.

Bisa Florência puxa pela teia da memória os fios do passado doce. Fala do dia 17 de novembro de 1940. Quando nasceu o primeiro fruto dessa união. A memória não lhe permite mais lembrar os nove filhos, mas ainda consegue ir longe. Descreve a conquista, os primeiros olhares, o namoro à moda antiga. Me conta que brigavam por ‘qualquer besteira’. Entretanto, nunca se separaram.

Minha bisa fala também das dificuldades, trabalho árduo na roça. De repente, lembra de uma moça pela qual meu bisavô foi apaixonado . Surpreendentemente, até hoje ela nutre uma ponta de ciúme. No entanto, não se deixa abater e dispara: “Até hoje ele me ama muito”. Conta casos engraçados e compactua comigo como duas amigas. “Por Deus ele não me escuta. Se ele me escutasse não falava essas histórias para você”, afirma se referindo ao estado de surdez que acometeu bisavô há algum tempo.

E, com um leve sorriso nos lábios, ela também se declara amando. “Até hoje eu sou apaixonada por ele”. Acredito no verdadeiro amor deles. Pois, mesmo quando a velhice e a doença vieram para tomar a graça da beleza, bisavô Antonio chama bisavó Florência de “princesa”. vida, principalmente tendo como base os ensinamentos que nos foi deixado por nossa mãe Ivone, pela qual sempre seremos gratos pela sua doação, atenção e carinho. Queremos somente dizer muito obrigado e que a amaremos sempre.

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Sobre João Casmurro

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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3 comentários :

  1. Lindo !!!! gostaria de viver um amor dessa maneira, mas parece que hoje em dia é tudo tão remoto, tão sem significado.As pessoas já se casam, quando casam, pensando " se não der certo separa" é triste. No futuro nossos filhos e netos não terão histórias como essa para se emocionar. Parabéns ao casal.

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  2. Nossa, eu adorei essa história. Eu gostaria muito de encontrar um amor assim verdadeiro e puro.
    Luziene

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  3. LÍNDA HISTÓRIA, EU ACREDITO QUE ESSE É O VERDADEIRO AMOR. ATUALMENTE VIVO UMA HISTÓRIA DE AMOR QUE REAPARECEU DEPOIS DE 25 ANOS , AMOR DE INFÂNCIA TOMAMOS DESTINOS DIFERENTES E NÃO SABIAMOS QUE OS NOSSOS SENTIMENTOS APENAS ADORMECERAM POR UNS TEMPOS. HOJE ESTAMOS APAIXONADOS COMO ONTEM QUANDO TINHAMOS 15 ANOS , PORÉM, ESTAMOS COMPROMISSADOS COM OUTROS E NÃO PODEMOS REVIVER ESSE AMOR DE ALMA. DETALHE...NEM FIZEMOS AMOR, APENAS NOSSOS LÁBIOS SE UNIRAM E FOI DIRETO À ALMA.

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