"Você parece ler meu pensamento." Vinte e cinco anos de carreira, 19 livros publicados, mais de 500 mil exemplares vendidos, e Martha Medeiros continua ouvindo frases como essa de suas leitoras devotadas. Está sendo assim também com Fora de Mim (Objetiva) que, desde seu recente lançamento no Rio, não sai da lista dos best-sellers (foram 23 mil livros entre outubro e novembro).

Prestigiada por mais de 300 pessoas — entre elas, as três atrizes que viveram suas mulheres no teatro, Lilia Cabral ("Divã", também transformado em filme), Ana Beatriz Nogueira ("Tudo Que Eu Queria te Dizer") e Cissa Guimarães ("Doidas e Santas") —, a jornalista e escritora gaúcha se surpreendeu com as quase cinco horas de autógrafos na Livraria da Travessa de Ipanema.

— Sempre dá um friozinho na barriga. Eu me sinto confortável (com o sucesso), mas cada vez que me sento na frente do computador é como se fosse a primeira vez. ê sempre bom duvidar da gente — considera Martha, que, para o novo livro, se pôs a escarafunchar as dores de uma separação, cujo "vácuo de existência" ela equipara, logo nas primeiras linhas, ao de um acidente aéreo.

"Depois desse breve período em que ninguém tem certeza se está vivo ou morto, começam a surgir os primeiros movimentos, os primeiros gemidos, uma sinfonia de lamentos que dará início ao que está por vir: o depois", diz a primeira parte, a do "durante"; em seguida vem o "antes", quando a paixão começou; e, por último, o "depois", a fase da chegada do novo amor."

Como Martha, como muitas, a narradora de Fora de Mim padeceu sem enxergar luz no fim do túnel quando se viu sem o homem que lhe roubara o juízo, de quem não sabia ser uma ex. Suas ligações, sua escova de dentes, sua imagem em fotos outrora à vista, suas escandalosas cenas de ciúme — tudo substituído pelo temor de sua vida agora com a outra, que apareceu rapidamente. O amor desapareceu "sem deixar pista, rastro, feito um crime perfeito".

Antes dele, era casada com um sujeito pacífico, de quem se divorciara sem grande trauma. Era uma mulher que sofria "com mais discernimento". Depois dele, dormia e acordava "com uma dor semelhante à de uma agulha enfiada na veia". "Alguém estava retirando meu sangue, me vampirizando", descreve.

Pior morte

O tema do livro surgiu há dois anos, quando de um rompimento dolorido vivido pela autora — 50 anos em agosto de 2011, aparência de 39, mãe de dois filhos, de 19 e 14. Martha então se dava conta de que de nada adianta a maturidade, a psique equilibrada, a certeza de que outra paixão a encontraria. "A pior morte, a do amor", lhe acertava em cheio.

— É igual pra todo mundo. A gente é sempre virgem diante da dor da perda. Tenta se confortar usando a lógica para algo que não tem lógica. Sente-se órfã, não de pai ou mãe, mas de um amor — conta a escritora, que desafia o bom senso e lê e responde a todos os e-mails recebidos, seja por conta dos livros, seja pelas colunas que assina nos jornais Zero Hora e O Globo.

Naturalmente, uma boa parte deles segue a linha "consultório sentimental" — neste caso, ela sugere a procura de um profissional.

— Essa dor hoje ocorre mais frequentemente, porque se vive mais e nada é pra sempre. As pessoas têm duas, três, quatro relações sérias na vida.

E-mails de homens também chegam à best-seller ainda identificada como de estilo "mulherzinha". Além de dar palpites e elogiar sua verve, eles trazem o questionamento da vez: "O que as mulheres querem?" Martha prefere a resposta simples para a reflexão ontológica:

— A gente quer tudo, e isso é impossível — sentencia. — Felicidade é ter noção de que vai ser infeliz. A grande conquista seria buscar o que é essencial e parar de querer tudo. Está na hora de se contentar em ser uma mulher nota sete.

Editora: Objetiva
138 páginas
Preço sugerido: R$ 29,90
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Sobre João Casmurro

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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