Eu estava entediada com aquela fila imensa na seção 257. Nunca peguei fila para votar. Azar. Estava mandando um torpedo para a Patrícia – conteúdo vazio, pura distração – quando ele apareceu sorrateiramente. Tomei um baita susto! Quanto tempo já fazia desde a última vez que o vi? Dez anos, oito? Nossa história terminou há exatos 15 anos. E lá estava ele: com a mesma carinha de menino. Alguns fios de cabelo brancos, muitos quilos a menos que da última vez que o vi e vestido com uma camisa vermelha. Lindo, como sempre foi. Demos um abraço apertado – quantas lembranças vieram à mente em poucos segundos – e um encontro foi logo marcado.

Dias depois, durante o jantar, ele me contou do casamento dele. E eu, da minha separação e das minhas histórias enroladas. Voltamos no tempo e fizemos uma longa reflexão sobre nosso amor adolescente. Todas as descobertas daqueles idos de 1995 e 1996 até o fim do namoro. Eu me lembro bem daquela fase. Foi o meu primeiro pé na bunda – o primeiro de muitos. Eu, que nunca fiquei muito preocupada com as groupies que ficavam na cola dele durante os shows, demorei a perceber que o perigo estava era no palco: ele me trocou pela backing vocal da banda.

Durante nosso reencontro ‘direto do túnel do tempo’, ele revelou que até hoje não sabe porque terminamos. O diálogo que seguiu foi mais ou menos assim:

- Eu sei bem porque você terminou!

- ...ela?...aquilo foi só tesão!

- Tesão é importante, faz parte da vida.

- Sim, sem dúvida. Mas eu era apaixonado por você...

- E eu por você. Mas, olha só, até hoje eu agradeço por você ter terminado.

- Por quê?

- Porque se não nós teríamos nos tornado um desses casais que se casam aos 20 anos, têm filho com 22 e separam com 26.

- Você acha mesmo?

- Acho. Muito difícil namoro de adolescente dar certo. E veja só, eu conheci o meu segundo namorado e depois o Charlie e foi maravilhoso o que vivemos. E você também seguiu seu rumo.

- Sim, é verdade. E eu acredito que somos mesmo a soma de nossas experiências.

- Isso! Sem dúvida seríamos também interessantes se tivéssemos ficado juntos. Mas talvez não tão experientes...

- É um ponto de vista.

Depois do burger com cerveja (eu, porque ele bebeu suco), ele me deixou em casa. Me deu um abraço forte e agradeceu pelo reencontro. Eu também. Adoro fazer balanços do que passou. Principalmente pra continuar tocando em frente com a certeza de que arrependimentos definitivamente não fazem parte do meu cardápio.

Quando eu estava descendo do carro, propus: novo encontro daqui 15 anos?

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Sobre Editor

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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1 comentários :

  1. Emocionou-me. Mas no próximo encontro, não rola mais nada porque o cristal quebrou.
    Bjokas

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