POR QUÊ A GENTE DECIDIU FICAR JUNTO ?



Por que mesmo a gente decidiu ficar junto? Perguntou a moça loira, cabelos lisinhos, para o rapaz, com jeito de atleta, sentado à sua frente na mesa de um café. Eu estava numa mesa próxima, esperando a hora de ser atendida por minha analista no prédio ao lado e, disfarçadamente, fiquei prestando atenção na conversa do casal. Os dois não tinham mais de 35 anos, mas percebia-se, claramente, que a relação não ia lá muito bem das pernas, como costuma dizer mamãe.

Com os olhos marejados, a moça lamentou a distância que existe hoje entre eles, a falta de carinho, e a ausência daquela sensação (que antes ela adorava) de se sentir protegida de tudo e de todos ao lado dele. E terminou a conversa dizendo que hoje não sente mais nada, só um vazio esquisito, uma sensação de estranheza que aumenta a cada dia, e um incômodo crescente em estar diante daquele homem que para ela, hoje, é praticamente um desconhecido.

Foi o bastante para eu começar a pensar por que mesmo decidi ficar junto das pessoas que amei. E fiquei ali, saboreando um café e passando em revista alguns dos meus amores. O que me fez ficar com Lívio foram seus olhos azuis e seu amor incondicional por mim. Com o norueguês Erik foi sua liberdade, seu amor pelo mar, pelos barcos e a possibilidade de, a qualquer momento, ele ir embora para a Noruega e

ficar lá para sempre. A racionalidade e o idealismo de André foram um motivo e tanto para eu ficar tentando conquistá-lo de qualquer maneira. Com Pedro foi o encontro no momento certo de nossas vidas, a retribuição de sentimentos que aumentavam nossas respectivas auto-estimas, além daquele encantamento inesgotável que ele tinha por mim. Depois veio Francisco, um homem imobilizado pela própria realidade, mas que acenava com a possibilidade de um amor que, erroneamente, pensei que superaria todos os empecilhos. Empolgada por minhas descobertas pessoais, perguntei para uma amiga por que ela decidiu ficar junto com seu atual companheiro, um homem bem mais velho, totalmente diferente dela. “Ah, Bety, com certeza ele me salvou dos meus amores não correspondidos. Ele comprou ingresso para ficar comigo, entrou na fila e não saiu. E também porque ele acredita em Deus, tem certezas morais e religiosas que eu não tenho”.

E de repente me dei conta de que escolhemos nossos parceiros por questões que, definitivamente, não são nossas. De alguma forma, gostaríamos de ser aquilo que eles são, como se fosse uma identificação. E assim, ao lado desses escolhidos, repararíamos alguma coisa da nossa própria história. Mas não há como reparar o que somos, nossas escolhas são irreparáveis. Quando nos damos conta de que a realidade é assim, nos sentimos mais livres para fazer escolhas que não tenham nenhum significado. São apenas escolhas mais leves, que aquecem a alma e libertam o coração.

Bety Orsini
A partir de "O Globo". Leia no original 
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Sobre João Casmurro

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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2 comentários :

  1. Meu nome é António Batalha, estive a ver e ler algumas coisas de seu blog, achei-o muito bom, e espero vir aqui mais vezes. Meu desejo é que continue a fazer o seu melhor, dando-nos boas mensagens.
    Tenho um blog Peregrino e servo, se desejar visitar ia deixar-me muito honrado.
    Ps. Se desejar seguir meu blog será uma honra ter voce entre meus amigos virtuais,mas gostaria que não se sinta constrangido a seguir, mas faça-o apenas se desejar, decerto irei retribuir com muito prazer. Siga de forma que possa encontrar o seu blog.
    Deixo a minha benção e muita paz e saúde.

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  2. é estranho como nós seres humanos somos uma eterna busca...somos complicados,nessa procura nos desencontramos e só nos reencontramos quando percebemos que somos completos, seres imperfeitos cercados da luz de Deus,este nos faz completos,nos dando sentido e caminhos...passamos uns pelos os outros,marcando ou não a vida e não nos damos conta que nossa vida sentimental é feita de escolhas ,por isso amar é tão atordoante,tão importante,pois quando o amor é cercado pela carência ou pelo medo iremos de encontro ao sofrimento....

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