AMOR E SEXO : CADEIRANTES E SUAS BARREIRAS

Milhares de pessoas torceram pela primeira noite de amor entre Luciana (Alinne Moraes) e Miguel (Mateus Solano) em Viver a Vida. Até experimentar o sexo na condição de tetraplégica, a personagem foi acometida por inúmeras dúvidas por acreditar que não poderia sentir ou dar prazer ao namorado. Um retrato fiel do que acontece com a maioria dos cadeirantes.

Se as limitações físicas nem sempre são um entrave óbvio, o lado psicológico pode limitar uma relação que tem tudo para ser saudável.

– É maravilhoso e assustador ao mesmo tempo – diz o músico Marcelo Yuca, ex-Rappa, paraplégico após levar três tiros num assalto, há 10 anos. – As barreiras psicológicas são muitas. Durante seis meses, não tive qualquer sensibilidade e acreditava que jamais teria uma vida sexual novamente.

A redescoberta do sexo não foi rápida, e muito menos fácil.

– A cadeira, querendo ou não, causa certo constrangimento. Mas nunca tive problema em me relacionar. Mesmo assim, chega uma hora em que você pensa: "Já tô saindo com essa menina há algum tempo. Em algum momento ela vai querer transar!". Entrava em pânico quando isso acontecia.

Yuca se lembra bem da primeira vez em que teve uma relação sexual após a cadeira de rodas. Com a ajuda da namorada, na época, encontrou novas formas de prazer:

– Quando finalmente transamos, disse: "Opa!". Mas não foi num sentido sexual apenas, foi de estar completamente agradecido àquela mulher que, com sensibilidade e carinho, me devolveu o que eu pensava ter perdido. Costumo dizer que antes dos tiros fazia sexo. Hoje, faço amor – conta ele, aos 43 anos, que namora a advogada Carmela, quase 20 anos mais nova, de Porto Alegre.

Para a fisioterapeuta Sheila Salgado, que trata há mais de 30 anos de portadores de deficiência, a relação entre Luciana e Miguel deveria servir de exemplo para muitos casais: ele não é assistencialista e desperta nela o que despertaria em qualquer mulher, cadeirante ou não.

– As pessoas têm que saber que não vão se relacionar com um cadeirante só para ajudá-lo a se locomover. Mas para amá-lo como pessoa normal que é - opina ela, casada pela segunda vez com um cadeirante: – Meu marido é completamente independente. As dificuldades de uma relação não estão nas limitações físicas, mas na convivência. E isso acontece com quem anda também.

Assim como Yuca, Sheila observa que ainda existe certo preconceito contra as mulheres deficientes.

– Muitas amigas minhas, bonitas, interessantes e inteligentes, estão sozinhas. No Brasil, principalmente, existe um culto exagerado ao corpo perfeito. E o que é diferente nem sempre é bem visto – avalia.

A atriz Vanessa Romanelli, que interpreta Camila em Viver a Vida, sabe bem o que é o preconceito. Numa cadeira de rodas há sete anos, por conta de uma doença genética que causa atrofia espinhal, mas não a perda de sensibilidade, ela não viu dificuldades em ser paquerada, mas hoje sabe distinguir as intenções de quem se aproxima.

– Sei quando o interesse é genuíno e quando vêm até mim com certa pena. Outro dia, um cara me perguntou como eu aguentava estar numa cadeira de rodas. Contei, e ele disse que preferia morrer porque gostava muito do próprio corpo. Pensei: "Será que ele acha que não tenho um corpo?" – conta Vanessa, que comemora o fato de a novela estar proporcionando uma visão diferente. – As pessoas acreditam piamente que somos assexuados, que não temos desejos e vontades.

Acostumado ao assédio feminino desde que apareceu no BBB 2, o modelo Fernando Fernandes, paraplégico após um acidente de carro em 2009, também redescobriu valores além do sexo numa relação:

– Descobri outros prazeres. As dificuldades existem, mas não dá para valorizá-las o tempo inteiro sem ver prazer nas coisas.

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Sobre João Casmurro

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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2 comentários :

  1. Realmente os preconceitos existem...E não só contra os cadeirantes, mas num todo.
    É pena que seja assim, mas a mudança é lenta e dolorida
    Espero que um dia cheguemos lá
    BJos achocolatados

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  2. e mas se a mulher tiver um problema leve tipo usar sapatos ortopedicos ou mancar for independente e andar no caso se a mesma for muito bonita de rosto e tiver um corpão boa parte do preconceito amoroso e derrubado ate porque a mesma nao carrega o estigma de assexuada que nem os outros (deficientes) carregam alem do mais a mesma estaria apta a frequentar praticamente todos os lugares coisa que para uma pessoa cadeirante ficaria mais complicado digo isso com grande e profundo conhecimento de causa so nao enxerga isso que tem a mente fechada ou nao quer ver ...

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