30 de dez de 2009

QUANDO O AMOR ESTÁ ATRÁS DAS GRADES

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Mulheres visitam maridos presos em penitenciárias e lutam para manter o afeto mesmo com a falta de privacidade e conforto

Renata, 18 anos, pegou o primeiro ônibus do dia - às 4h40 - para sair de sua casa, em Cariacica, com destino à Serra. Jovem, linda, cabelos encaracolados, cheirosos e macios, ela enfrenta mais de três horas de fila para entrar em um lugar aonde ninguém quer ir. Toda semana ela vai visitar o marido, preso há três meses por falsificação de documentos, numa cadeia que abriga mais de 200 homens.

Durante quase metade do tempo de casada - sete meses -, período em que muitos casais ainda estão em clima de lua de mel, Renata tem que se sujeitar às rápidas visitas íntimas permitidas dentro de uma cela úmida e fedorenta, ocultadas apenas por um lençol velho, "de onde ninguém se atreve a chegar perto", garante.

Faltam privacidade e conforto: "A 'jega' (como é chamado o local de visitas íntimas dentro da cadeia) é menor do que o banheiro da minha casa", conta Renata. Mesmo assim, a visita pode significar aumento da família. Morando com a sogra e sem estudar desde que casou, ela não usa nada para prevenir uma possível gravidez, mesmo sem o marido ter sido julgado. "Desde que a gente casou não tomo pílula, mas não consegui engravidar. Justo agora, que estou querendo tanto", lamenta, confiante de que o companheiro, office boy, será solto em breve.

Na porta de outra cadeia, Bianca, 21 anos, conseguiu realizar o sonho de Renata e de tantas outras mulheres que, como ela, estão presas mesmo sem ter grades e muros em volta. Sua filha de um ano foi "feita" durante uma das muitas visitas íntimas, ao longo dos três anos que o marido está preso. A menina vê o pai - preso por colocar fogo em um ônibus - quinzenalmente.

Não poder contar com a ajuda do pai não foi empecilho para Josi, 25 anos, casada há cinco, três filhos, dois deles feitos dentro da prisão. "Tem quase dois anos que meu marido está aqui - na Penitenciária de Segurança Máxima I, em Viana - mas desde que a gente se conhece ele vai e volta da cadeia o tempo todo", admite, sem esconder que o conheceu enquanto estava "de fuga".

O bebê mais novo, de um mês, nunca viu o pai, já que as visitas de crianças só são permitidas a cada dois meses. Condenado a mais de 20 anos de prisão por diversos crimes, ele provavelmente não vai fazer parte da vida dos filhos. "Não sei quanto tempo eu vou aguentar ficar vindo aqui. Não vou virar avó no meio da cadeia", destaca.

Maridos são raros na visita a presídio feminino

A cena é rara: com um filho pequeno no colo e segurando a mais velha pela mão, o polidor Cristiano Xavier, 29 anos, sobe a ladeira que dá acesso à penitenciária feminina de Tucum, em Cariacica, em pleno domingo pela manhã. Ele vai visitar a esposa, de 33 anos, presa há um mês e meio. "Ela estava conversando na rua com uns amigos, alguns deles estavam com drogas e todo mundo acabou pagando o pato", conta Cristiano, exceção entre os visitantes do local.

A maioria na fila para Tucum é de mães. Os poucos homens na maioria das vezes são filhos ou irmãos das presas. Cristiano sabe bem o porquê. "O cara é humilhado aqui dentro. Tem que abaixar um monte de vezes, esticar o pênis para os lados. Não é qualquer um que aguenta", confirma.

Foto: Nestor Müller

MULHERES SE TORNAM PRINCESAS ÀS AVESSAS

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Cada relação tem uma dinâmica própria, por isso, vendo de fora, é difícil encontrar motivos para sua manutenção, independentemente de ela ser considerada nociva ou não. Para a mulher jovem, uma relação com um criminoso pode render status e também valorização. Elas não podem ser tocadas, têm um homem que depende da visita delas, são como princesas às avessas.

Além disso, tem a questão da indisponibilidade. Como não há convivência, não há espaço para brigas, para que o relacionamento se desgaste, o que acaba contribuindo para a idealização desse amor. Esse romantismo também explica porque há mais mulheres do que homens nas filas de visita.

As mulheres conquistaram muitas coisas ao longo dos últimos anos, mas para a parcela pobre da sociedade, a maternidade e o casamento continuam sendo os principais objetivos, até como forma de emancipação. Por isso elas se sujeitam a ficar com o homem que está disponível, qualquer que seja a situação.

Kirlla Dornelas
Mestre em Psicologia

28 de dez de 2009

SABER VIVER - Cora Coralina

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Não sei... Se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o
coração das pessoas.

Muitas vezes basta ter:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,
verdadeira, pura...
Enquanto durar.

26 de dez de 2009

FRASES DE AMOR NADA CONVENCIONAIS

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Uma das melhores coisas na internet, apesar de parecer algo contraditório aos não "iniciados", é a experiência de conhecer pessoas. E, justamente, conhecê-las no melhor sentido, sem os erros ou disfarces das aparências, pois a palavra escrita e a distância têm o dom de privilegiar a sinceridade e o lado amoroso das pessoas. E uma das muitas pessoas que conheci -- na verdade conheci apenas seu trabalho -- é a Natacha, do Blog da be2, um site de relacionamento, com mais de 18 milhões de membros registrados pelo mundo. E em seu espaço Natchi teva a idéia de publicar algumas frases engraçadas relacionadas ao amor, que acabou tornando-se quase uma seção obrigatória.

Decidi, então, pegar uma carona em seu trabalho e reproduzir aqui algumas das melhores frases selecionadas por ela. Aproveite. Divirta-se e, por que não, apaixone-se:


“O amor é como a criança: deseja tudo o que vê.”
William Shakespeare

“No homem, o desejo gera o amor. Na mulher, o amor gera o desejo.”
Jonathan Swift

O amor é um não sei quê, que surge de não sei donde e acaba não sei como.”
Madeleine Scudéry

“O verdadeiro amor é como os fantasmas. Todos falam nele, mas ainda ninguém o viu.”
Fide da Roche

“Se não te lembram as menores tolices que o amor te levou a fazer, é que jamais amaste”.
Shakespeare

“Falar de amor para algumas pessoas, é como tentar falar a um cego em linguagem de surdo.”
Alexander

“Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor.”
Shakespeare

“Quando fala o amor, a voz de todos os deuses deixa o céu embriagado de harmonia.”
Shakespeare

“Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor. Como as outras, ridículas…”
Fernando Pessoa

“Saia da roda do tempo e venha para a roda do amor.”
Jalaludin Rumi

24 de dez de 2009

Crônica de Natal : 'Dezembro tem fome de quimeras'

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A família da mãe era o epicentro do discurso amoroso. Gravitávamos em torno dos avós Daniel e Amada e dos tios Maíta, Avelina, Celina, António. A mãe Carmen, traduzia-me a origem para jamais me afastar daquela manjedoura. Havia que cultivar aquela memória onde eu estivesse.

O pai, Lino, aplaudia a realidade que a mãe consolidava a cada visita a Vila Isabel. De acordo com o seu desígnio, eu devia crer na humanidade. Afinal, cada irmão daquela grei era o melhor amigo do outro. Razão bastante para nenhum se atrever a quebrar os grilhões familiares. Ou esquecer a união que devida a serem eles filhos da atormentada imigração. Porque embora passados tantos anos da viagem atlântica empreendida pêlos pais no final do século XIX, em direção ao Brasil, aqueles tios sabiam que eram originários de uma ilusão inesquecível.

Cada semana a mãe me levava à casa matriz em busca do Santo Graal. Do prémio que constituía em conviver com a tribo familiar, com as memórias procedentes das paisagens de São Lourenço-em Minas, e de Cotobade - na Galícia. Entre suas paredes, pautados todos pelas horas de um domingo lento, aquele cotidiano instigava o diálogo, as narrativas modestas. Aconchegada assim, eu aprendia a expandir os sentimentos incipientes, a dosaras emoções, a zelar pêlos segredos que traziam todos consigo. Éramos criaturas, porém, que temíamos confidências que tinham o efeito de confundir os sinais externos da realidade, de induzir a interpretações maliciosas, ou mesmo equivocadas. Sob a orientação da avó Amada, tínhamos em mira que, a despeito dos erros e das omissões, havia que salvar quem estivesse carente.

Quem batesse à porta de Vila Isabel, era bem-vindo. Em especial os que entraram na família por meio de alianças matrimoniais. Mas estes, conquanto estimados e respeitados, não integravam o núcleo afetivo que abastecia os avós, os tios e os netos. Aquela espécie de amor que dispensava explicações ou declarações públicas.

Sem a família materna, jamais haveria dezembro. Assim, à margem do que ia assimilando da natureza inóspita das coisas, eu intuía que sem os festejos natalinos, me veria privada do arsenal de lembranças que haveriam de me saciara fome ao longo dos anos.

Temerosos pois, de desafiar os deuses, enfeitávamos a noite natalina com esperanças e nozes. Havia em cada qual o esforço conjugado de cuidar da comida como se estivéssemos a preparar o presépio para o próprio menino Jesus na iminência de nascer. Cada palha do seu berço correspondia a um talher polido, a uma travessa esmerada, ao vinho português ou espanhol que esplendia nos cristais. Sem faltar na mesa o polvo - vindo da Espanha, e o bacalhau, que, segundo a designação de origem, chegado do Porto. As demais iguarias, vindas em linha reta da cozinha, faziam os olhos brilhar, propiciavam que erguêssemos as taças brindando a fartura, a própria vida. Enquanto as crianças, sob o incondicional amparo familiar, festejavam suas quimeras com o guaraná borbulhante. Nesses momentos mágicos, renunciava-se para um balanço de acertos e fracassos, e tudo para simular uma mentira benfazeja. Afinal sobravam razões para comemoraruma data que prometia prodígios.

Tal herança, levei para a Lagoa, após enterrar meus mortos. Nesse recanto, que ocupo há anos, vivo com meus pertences, reverencio os que se foram, sou dona das minhas horas e dos meus segredos. Só que agora celebro o Natal com a tribo que elegi ao longo da existência. Nessa noite, os enfeites e os retratos abandonam o porão das lembranças e distribuem-se pela sala, de onde vejo o espelho da Lagoa. Sobre a mesa, como de costume, repousam as iguarias tradicionais, que nunca as esqueço. Aliás, sou meticulosa fazendo a vida emergir. Dessa forma, pelo restante do apartamento, há sinais de um passado feliz e dos desacertos que fui acumulando. Mas serão acaso pecados, ou expressam simplesmente a expressão da ânsia de ser livre?

Olho em torno e me emociono. Em cada recanto transitam os restos do intenso horizonte familiar. Há muito cabe-me, e enquanto viva, enaltecer os mortos, incluí-los no meu acervo. Sobretudo o pai, que faleceu no início dos meus vinte anos, e a mãe, que se despediu há dez anos. Mas, ao saber que serei a próxima a despedir-me, indago quem há de cuidar das min hás exéquias?

Mas afinal, qual pode ser o significado desse dezembro no meu calendário sigiloso? Para mim, que sou anfitriã, o que importa de fato? Acaso aguardo, sob o jugo de uma euforia coletiva, que esse mês imprima novas pegadas à memória, recupere cenas que ficaram para trás, regue caprichos oriundos da fornalha dos enigmas?

Sei sim, que esse dezembro incita a perdoarquem somos, a esquecera rota que nos trouxe até onde nos encontramos agora. Mas o que mais nos regala, além da sensação de podermos finalmente recomeçar ávida?

Mas, se outrora amei dezembro, deixei de amá-lo após a morte dos seres amados e do catálogo das desilusões. A despeito porém das perdas, este mês alardeia uma intimidade com o que convencionamos chamar de sagrado e profano, e me faz bem. Como se por meio dessa falsa divisão de valores, o Natal, por si só, anunciasse a chegada de aturdidas saturnais e de presépios ungidos pela credulidade coletiva. E tudo para que o imaginário popular, ao som de trombetas e alvíssaras, propague o ocaso dos tempos cruéis e anuncie o advento de um ciclo favorável.

Sob os auspícios, no entanto, dos dias ilusórios, meu dezembro atrela-se à roda da fortuna e da sorte. Igualmente aos desatinos da paixão e do fastio, aos furtivos amantes que rodopiam pêlos salões à espera de outros casais que, corroídos pela fadiga do cotidiano, bailam aos acordes da valsa antiga.

Observo os amigos que circulam pela casa enquanto riem, sorvem o vinho rubro, mastigam o alimento, fazem declarações afetivas. Sob a proteção de um presépio que armamos em um recanto da sala, é provável que cada qual, empenhado em refazer o caminho da fé, ingresse por breves horas no provisório círculo da fantasia, ao qual jamaisterei acesso.

Ah, sem dúvida, dezembro tem fome de quimeras. Incluindo as minhas.

22 de dez de 2009

ROMANCE NASCE DE CARTAS DE AMOR ANÔNIMAS

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O segundo romance da chilena Carola Saavedra, 36, "Flores Azuis" (Companhia das Letras), é uma surpreendente história de amor dos tempos da internet. Durante nove dias a personagem escreve cartas na tentativa de seduzir e reconquistar o homem o homem que dela se separou. Entregue em envelopes azuis, as cartas relatam momentos de convívio e a falam dos dias anteriores ao rompimento. No entanto, no endereço onde as cartas são entregues não é mais o apartamento do amado. Quem recebe as cartas é o novo inquilino, Marcos, que acabou também de se separar. Movido pela curiosidade, Marcos lê, fica entusiasmado, se apaixona pela mulher e começa a procurá-la pela cidade.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, a autora traçou um painel da obra e de suas motivações. Acompanhe:

Porque você escolheu as cartas como meio de comunicação. Elas já não foram esquecidas com a internet?

Carola Saavedra - Escolhi a carta porque a personagem está presa ao passado. A carta para ela é uma forma de ocupar espaço --porque ela queria de alguma forma atingir esse homem--, de continuar fazendo parte da vida dele. O e-mail seria alguma coisa muito abstrata, pois ele poderia facilmente deletar. Na cabeça da personagem a carta é algo concreto, ocupa um espaço. Ela diz em algum momento no livro assim: "mesmo que você não abra o envelope, que você não leia a carta, ela existe, está ali, ocupa espaço e você vai ser obrigado a jogar fora ou fazer alguma coisa com ela". A escolha pela carta é uma ideia do concreto, é algo que ocupa espaço. Também está relacionado com a personagem apaixonada, que é romântica, que tem um amor extremo e exagerado. Além da relação com a nostalgia, da dificuldade de abrir mão do passado ou daquilo que já passou.

O ato de escrever cartas pode ser associado com a forma de escrever romances? Qual a relação que você tem com as cartas, elas são elementos da narrativa da ficção ou fazem parte da sua realidade?

Tudo o que você escreve tem algo relacionado com a escritora; mas o que, exatamente, é muito difícil tentar destrinchar. Por exemplo, no romance "Toda Terça" tem um momento que a personagem está conversando com o analista e ela mente para ele. E ele diz para ela: "Não importa [você mentir], porque o fato de você ter escolhido essa mentira e não outra já revela alguma coisa sobre você." Então é um pouco de como eu vejo essa relação do escritor com o que ele inventa e o que é realmente dele. Claro, eu não vivi as coisas dessa forma que escrevo, mas o fato de eu ter escolhido construir essa personagem, escrever sobre esse assunto revela algo, mas não de uma forma direta.

No seu primeiro romance, "Toda Terça", o que permeia a narrativa é a falta de amor e a impossibilidade que os personagens têm de amar. Como é inverter a situação neste livro? Escrever sobre isso foi uma forma de se livrar dos sentimentos extremos?

Eu queria trabalhar com o outro extremo, amar demais, o exagero. Acho até que a personagem é bastante exagerada, porque na verdade eu queria trabalhar com o extremo. Escrever não é uma forma de se livrar, é uma forma de viver, viver os sentimentos de outra forma. Eu sinto como se fosse possível viver várias vidas e criar vários mundos em uma. Quando você escreve, é preciso estar dentro daquela personagem. As emoções, você têm que tirá-las de você. Pelo menos eu não consigo criar personagens e emoções que eu não tenha como tirar de mim, que sejam externas. Tudo o que crio, tiro de mim e ao fazer isso é quase como se eu vivesse outra vida. Isso não esgota, acho que a escrita não é uma análise, não é uma cura, pelo contrário, ela possibilita viver várias vidas no espaço de uma única e pensar coisas que normalmente não pensaríamos.

O que você aprendeu com o "Flores Azuis"?

Aprendi a aceitar mais, a compreender a diferença, os extremos e talvez até a loucura. Muitas pessoas me falaram isso e eu também concordo, é a mulher que se dá completamente, que se entrega completamente ao homem de uma forma quase obsessiva. Muita gente me diz assim: "mas como essa mulher pode ser dessa forma como ela pode se entregar a tanto?". Eu teria dito a mesma coisa antes de ter lido o livro, como alguém pode ser assim? Ao escrever o livro eu construí essa personagem, ao tirar aquilo de dentro de mim, que de alguma forma deve existir, compreendi melhor como funciona a cabeça desta mulher.

As cartas servem para unir de alguma forma o que foi separado?

Não. As cartas são uma forma da personagem trabalhar essa história, dessa personagem tão passiva que se deu tanto de uma forma tão completa. É um momento de se reconstruir. A personagem retoma o poder com a palavra, tem até um momento que ela diz assim: "isso aconteceu realmente, as coisas foram realmente dessa forma? Porque numa relação amorosa a gente nunca sabe como foi aquilo realmente. Não importa, porque quem está dando a versão sou eu, e sou eu que decido como foi". Assim, ao escrever as cartas ela vai retomando, vai reconstruindo como pessoa e como sujeito.

Qual é o significado da separação?

A separação é algo que nunca acaba. Tem duas questões da separação que a personagem fala no livro com as quais eu concordo: que a separação nunca é um núcleo, nunca acontece em um momento só. A separação começa a acontecer já muito antes. As pessoas se conhecem e talvez naquele momento as pessoas começam o processo de separação. As pessoas às vezes ficam anos se separando. Então acho que a pessoa que fala "pronto, aqui acabou", "aqui tem uma linha", "aqui tem um limite", acho que não existe. Existe talvez um ato final que aponta uma gota d'água ou algo assim, mas a separação já começou faz muito tempo.

Outra questão é que a separação não acaba no momento em que as pessoas se separam fisicamente, existe uma separação da alma, psicológica, um luto na realidade. Talvez, muitas vezes, as pessoas não vivem o luto, pois vivemos numa sociedade que o luto e o sofrimento são malvistos. Talvez essas cartas sejam também uma forma de luto, necessário até para ter em algum momento deixar de sofrer.

Todas essas separações têm algo relacionado com suas mudanças de países?

Costumo dizer que eu estou a dez anos em trânsito. Morei em várias cidades na Alemanha, na Espanha, na França e agora no Brasil. Você não precisa apenas se separar de um namorado, de um marido, você pode se separar de uma cidade, dos amigos, tudo isso são processos constantes de luto das coisas que você abandonou ou que você deixou. É sempre uma questão muito difícil e por outro lado tem sempre a alegria do novo, uma porta que se abre para o novo, para o inesperado. Mas, como o livro não tem nada relacionado com minha vida pessoal, foi uma necessidade muito intelectual, no sentido que eu tinha terminado o "Toda Terça" e os personagens tinham essa dificuldade de demonstrar o amor e de se entregar, eram muito covardes, no meu ponto de vista. Então era uma oportunidade de ter personagens completamente diferentes, que tivessem coragem.

20 de dez de 2009

MEU ERRO FOI AMAR DEMAIS ...

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Quando o excesso de sentimento acaba com a relação. “Meu erro foi amar demais”! Quem nunca ouviu alguém pronunciar essa frase após o término de um relacionamento? O desequilíbrio nas relações e consequentemente o seu fim, provocam em muitas pessoas o descontrole emocional e pode trazer conseqüências graves. O excesso de sentimento ao invés de ajudar, pode atrapalhar uma relação que no começo parecia ter tudo para dar certo.

O problema de “excesso de amor” atinge na maioria das vezes as mulheres. De acordo com especialistas, as mulheres são mais sensíveis, e se entregam mais rapidamente numa relação. O fim de um relacionamento frustrado, a vontade de mudar de vida ou até mesmo o medo da solidão, pode despertar nas pessoas um desejo de se relacionar. Encontros, conversas ao telefone, programas. Tudo começa muito bem. Os encontros se tornam freqüentes e o interesse mútuo se torna cada vez mais visível. É neste momento que é necessário ficar atento e se voltar para si. Antes de se envolver é necessário se preocupar com outros pontos de sua vida e principalmente se amar em primeiro lugar. Do contrário, o sentimento pode se transformar em doença e causar o efeito contrário do que antes se esperava.

De acordo com a psicóloga Silvia Rezende, o sentimento de amar demais e até depender do outro para obter a própria felicidade, é chamado amor patológico. O amor patológico é uma doença que causa dependência como se fosse um entorpecente, mas neste caso a droga não é química e sim o parceiro. Segundo a psicóloga, quando alguém abandona os amigos e o parceiro passa a ocupar mais espaço que a família, o trabalho e outros afazeres ou o medo da relação acabar é incontrolável, é certo que o amor e o relacionamento deixou de ser algo saudável.

A maioria das pessoas que vivem esse dilema de amar em excesso acabam deixando de lado a vida profissional e pessoal. E, é nesse momento que é hora de procurar ajuda profissional. A estudante, de 22 anos, Simone, viveu por cinco anos uma história que ela chamava de amor, mas que no final ela classificou como possessão. “Não sabia mais o que fazer, não tinha vontade de fazer nada, vivia para agradar meu namorado ou procurar vestígios de traição”, afirma Simone. A psicanalista Valéria Machado afirma que as mulheres que se encontram nessa situação, são tão ligadas a um homem, que mesmo sabendo se tratar de uma pessoa errada para aquele momento, não querem esquecê-lo e nem procurar ajuda. Foi passando por momentos assim que a estudante procurou ajuda, e começou a freqüentar reuniões do MADA, Mulheres que amam demais anônimas. “Falar com pessoas que vivem o mesmo problema foi um passo para enxergar tudo aquilo que estava acabando com minha vida. Foi uma maneira de ver a situação do lado de fora.”

Sofrer demais no fim de uma relação por conta do excesso de sentimento, não é um problema exclusivamente feminino. Apesar de parecer que são fortes e destemidos, alguns homens acabam se entregando demais em um casamento ou namoro, e no final se frustram por não serem correspondidos. O aposentado José Geraldo viveu um casamento de sete anos onde tudo parecia perfeito: “ Eu vivi a minha vida por ela, era o homem dos sonhos. Lavava, cozinhava, cuidava da nossa filha e ainda trabalhava muito. Um dia minha esposa chegou em casa depois de uma viagem e pediu o divórcio. Disse que estava confusa e se sentia sufocada pelos meus sentimentos. Sofri muito e demorei dez anos para refazer minha vida.”

No ano de 2003, foi ao ar pela rede Globo a novela Mulheres Apaixonadas. Um dos temas abordados pela trama, foi o drama de Heloísa, personagem de Giulia Gam. Casada com Sérgio, (Marcelo Antony), Heloísa sentia um sentimento tão grande pelo marido que a fez perder até o próprio controle emocional e amor próprio. Impulsionada por essa obssessão, a personagem chega a fazer ligadura de trompas por medo de engravidar e ter que dividir a atenção do marido com a criança. Após crises e internações, Heloísa é aconselhada por familiares a procurar ajuda. O autor da telenovela Manoel Carlos, procura por meio da ficção mostrar o trabalho do MADA, grupo de apoio que reúne mulheres em todo Brasil.

O MADA é um programa de recuperação para mulheres que têm como objetivo se recuperar da dependência de relacionamentos destrutivos, aprendendo a se relacionar de forma saudável consigo mesma e com os outros. O grupo foi criado baseado no livro "Mulheres que Amam Demais", de 1985, da autora Robin Norwood. No Brasil o primeiro Grupo MADA foi aberto em São Paulo, por uma mulher casada com um dependente químico que se identificou com a proposta do livro. O Grupo cresceu e, atualmente realiza de 40 reuniões semanais no Brasil distribuídas em 13 Estados.

Hoje são vários os meios para se curar do mal do amor destrutivo, algumas pessoas recorrem a grupos como o MADA, outras procuram terapia, mas todas com um mesmo objetivo, conquistar a confiança e o amor próprio. No caso da dona de casa Cibele Soares, 27 anos, os sentimentos eram os mesmos, porém a procura por ajuda foi diferente. “Me sentia muito mal, até que procurei uma academia e me matriculei em dança de salão, e hoje vivo bem com meu marido, amo, mas de forma diferente.”

De acordo a psicanalista Valéria Machado a dependência emocional é o medo de perder.,ausência de confiança e baixa-estima. As pessoas que sofrem desse mal, precisam do outro para conquistar a felicidade. E o primeiro passo é acreditar que aquilo está fazendo mal e procurar amar de forma saudável. A partir daí mudar a frase “diga onde você vai que eu vou varrendo” por “eu varro meu próprio caminho”.

Amanda Goulart e Júlia Leal
A partir do Blog Amanda Goulart. Leia no original
Imagem: h.koppdelaney

19 de dez de 2009

AS RAZÕES QUE O AMOR DESCONHECE

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Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes do Woody Allen, do Hal Hartley e do Tarantino, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettuccine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desses, criatura, por que diabo está sem namorado?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Costuma ser despertado mais pelas flechas do Cupido do que por uma ficha limpa.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai ligar e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário, ele adora o Planet Hemp, que você não suporta. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, mas você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, ele adora animais, ele escreve poemas. Por que você ama esse cara? Não pergunte pra mim.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou murchar, você levou-a para conhecer sua mãe e ela foi de blusa transparente. Você gosta de rock e ela de MPB, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano-Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são referências, só. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo o que o amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó. Mas só o seu amor consegue ser do jeito que ele é.

17 de dez de 2009

OTÍLIA E TONHO: HISTÓRIA DE AMOR QUE DURA 80 ANOS

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Com o tom de voz bem baixinho, quase num sussurro, na melodia que é uma mistura de notas de cantiga de ninar e cântico de igreja, dona Otília Maria de Jesus entoa uma estrofe que ela mesma compôs: “Ainda vou no céu em vida/ perguntar ao Nosso Senhor/ se no dia que eu morrer/ posso levar o meu amor”. A música tem tudo a ver com a história da “cantora: ela e o marido, Antônio Xavier de Carvalho, estão casados há 80 anos, completados no último dia 9. Os dois vivem na casa de um dos nove filhos, em Monte Mor.

Sentados lado a lado, as mãos calejadas dos dois se entrelaçam o tempo todo. Quando percebe alguma fala carinhosa do marido, dona Otília se encosta nos ombros dele. Cheios de demonstrações de carinho, a memória é retomada aos poucos, alguns lapsos surgem, um corrige o outro e o sorriso grande, simultâneo entre os companheiros, vem em seguida.

Na colônia de centenas de empregados de uma fazenda de café na Vila Elisiário, na região de Catanduva (a 300 quilômetros de Campinas), tanto a família de dona Otília, hoje com 99 anos, quanto a de seo Antônio, de 102, foram morar na década de 20, vindas do Sertão da Bahia. Ali, numa das animadas festas, na época em que os bailes começavam às 18h e, no máximo, até as 21h, já tinham acabado, seo Antônio começou a observar a moça. “E não é que eu gostei?”, conta dona Otília. Para que o casamento se realizasse, não demorou sequer dois meses. “E foi uma festança com tanta leitoa assada que eu nunca vi tanta fartura”, relembra seo Antônio.

O casal passou a maior parte da vida na zona rural. Da fazenda da Vila Elisiário, onde nasceram os dois primeiros filhos, dona Otília tem a lembrança também do patrão, Amâncio Pereira, que foi seu padrinho de casamento. “Lá, nós pegamos 5 mil pés de café para cuidar sozinhos. Íamos para o cafezal juntos, logo cedo, quando o sol começava a aparecer no céu”, diz seo Antônio. O costume de acordar ainda de madrugada prevalece até hoje. “E eu lá sou mulher de acordar às 11h? Nessa hora já até almocei”, orgulha-se ela. O casal passou outros 50 anos no Paraná, primeiro como empregados noutra fazenda de café e, depois, como proprietários de um pequeno sítio. Há cerca de cinco anos, mudaram-se para Monte Mor, para ficar mais perto dos filhos e receber os cuidados deles.

Os dois não se casaram na igreja. “Casamos no civil e já estava bom. O importante era que nós tínhamos amor um pelo outro”, afirma seo Antônio, sem querer dar muitos detalhes da história. A certidão original já deteriorou. A segunda via, que ele gosta de ter sempre no bolso da camisa, foi emitida em 1972. Os dois, ao serem questionados sobre o que foi necessário para ficar tanto tempo juntos, respondem que a receita é a compreensão e o respeito. “Brigar todo casal briga neste mundo. Mas eu não me importo quando ele vem com conversa e cara feia”, diz dona Otília, antes de dar uma olhadinha de desprezo para o marido e soltar um sorriso que faz a alegria contagiar a sala. “Eu deixo para lá, porque sei que ele gosta de mim. Nunca fomos dormir de mal um com o outro. Os casais de hoje não ficam muito tempo juntos porque qualquer coisinha já fazem cara feia. Eles não têm paciência e uma besteirinha causa a maior confusão. Quem é que pode viver só com alegria?”, ensina a avó de 25 netos, bisavó de outros 20 e tataravó de uma menina.

A festa pelos 80 anos foi simples, como é a família: só um almoço, para os que moram mais perto. Com tantos descendentes, fica impossível conciliar uma data para reunir todos. Para um dos filhos, Evando Xavier de Carvalho, honestidade e os valores morais são as grandes qualidades dos pais. “Durante a vida toda, eles foram assim: bem-humorados e pais que nunca levantaram a mão para nenhum dos filhos. Foram enérgicos quando necessário e conseguiram passar a todos como é importante ter uma família”, diz ele, aos 59 anos.

Os dois também já viveram muitas tristezas, mas há algumas mais dolorosas. “A perda dos meus filhos foi a dor que eu queria ter evitado nesse tempo todo. Ninguém merece o que eu passei. Mãe nenhuma está preparada para isso.” A idade avançada já levou o casal ao velório de três filhos. Um deles morreu ainda recém-nascido. Outros dois morreram quando netos já tinham tomado conta da casa.

Dona Otília gaba-se de ficar “mais de ano sem tomar um comprimido”. Seo Antônio tem dificuldades para ouvir e só consegue caminhar bem devagar, se apoiando na parede. Ela ainda sai para caminhar pelas ruas, até faz umas comprinhas de vez em quando. Gosta também de receber amigos para um café e não descarta uma cerveja preta. “É só ter em casa que eu bebo”, conta. Com colesterol em níveis mais do que satisfatórios, os dois têm entre os pratos prediletos o arroz e o feijão com toucinho. “Se tiver uma mandioca, então, eu como sem parar”, conta ela. Ele já prefere uma estranha combinação: “Eu como arroz, feijão e um pedaço de rapadura de mistura. Isso me deixa forte como nunca”, explica. Dona Otília detesta sopa. “Tem gente por aí que fica falando que eu preciso tomar caldo disso, caldo daquilo. Arroz, feijão e carne são os melhores remédios que Deus deixou nessa terra”, afirma.

O casal que completa 80 anos de casamento comemora "bodas de nogueira". A denominação diz respeito à longevidade que a árvore produtora das nozes costuma ter, além da capacidade que tem para superar adversidades.

15 de dez de 2009

AMOR : REVOGADAS AS DISPOSIÇÕES EM CONTRÁRIO

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Convenção dos feridos por amor
Disposições gerais:

A – Em se considerando que está absolutamente correto o ditado “tudo vale no amor e na guerra”;

B – Em se considerando que na guerra temos a Convenção de Genebra, adotada em 22 de agosto de 1864, determinando como os feridos em campo de batalha devem ser tratados, ao passo que nenhuma convenção foi promulgada até hoje com relação aos feridos de amor, que são em muito maior número;

Fica decretado que:

Art. 1 – todos os amantes, de qualquer sexo, ficam alertados que o amor, além de ser uma benção, é algo também extremamente perigoso, imprevisível, capaz de acarretar danos sérios. Conseqüentemente, quem se propõe a amar, deve saber que está expondo seu corpo e sua alma a vários tipos de ferimentos, e não poderá culpar seu parceiro em nenhum momento, já que o risco é o mesmo para ambos.

Art. 2 – Uma vez sendo atingido por uma flecha perdida do arco de Cupido, deve em seguida solicitar ao arqueiro que atire a mesma flecha na direção contrária, de modo a não se submeter ao ferimento conhecido como “amor não correspondido”. Caso Cupido recuse tal gesto, a Convenção ora sendo promulgada exige do ferido que imediatamente retire a flecha do seu coração e a jogue no lixo. Para conseguir tal feito, deve evitar telefonemas, mensagens por internet, remessa de flores que terminam sendo devolvidas, ou todo ou qualquer meio de sedução, já que os mesmos podem dar resultados a curto prazo, mas sempre terminam dando errado com o passar do tempo. A Convenção decreta que o ferido deve imediatamente procurar a companhia de outras pessoas, tentando controlar o pensamento obsessivo “vale a pena lutar por esta pessoa”.

Art. 3 – Caso o ferimento venha de terceiros, ou seja, o ser amado interessou-se por alguém que não estava no roteiro previamente estabelecido, fica expressamente proibida a vingança. Neste caso, é permitido o uso de lágrimas até que os olhos sequem, alguns socos na parede ou no travesseiro, conversas com amigos onde pode-se insultar o antigo(a) companheiro(a), alegar sua completa falta de gosto, mas sem difamar sua honra. A Convenção determina que seja também aplicada a regra do Art. 2: procurar a companhia de outras pessoas, preferivelmente em lugares diferentes dos freqüentados pela outra parte.

Art. 4 – Em ferimentos leves, aqui classificados como pequenas traições, paixões fulminantes que não duram muito, desinteresse sexual passageiro, deve-se aplicar com generosidade e rapidez o medicamento chamado Perdão. Uma vez este medicamento aplicado, não se deve voltar atrás uma só vez, e o tema precisa estar completamente esquecido, jamais sendo utilizado como argumento em uma briga ou em um momento de ódio.

Art. 5 – Em todos os ferimentos definitivos, também chamados “rupturas”, o único medicamento capaz de fazer efeito chama-se Tempo. Não adianta procurar consolo em cartomantes (que sempre dizem que o amor perdido irá voltar), livros românticos (cujo final é sempre feliz), novelas de TV ou coisas do gênero. Deve-se sofrer com intensidade, evitando-se por completo drogas, calmantes, orações para santos. Álcool só é tolerado em um máximo de dois copos de vinho por dia.

Determinação final:
Os feridos por amor, ao contrário dos feridos em conflitos armados, não são vítimas nem algozes. Escolheram algo que faz parte da vida, e assim devem encarar a agonia e o êxtase de sua escolha.
E os que jamais foram feridos por amor, não poderão nunca dizer: “vivi”.Porque não viveram.

14 de dez de 2009

SETE 'MOTIVOS' PARA ACABAR UM NAMORO

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Se você tem um namorado (ou namorado) carinhoso, atencioso e que não faz nada de errado, mas, infelizmente, não é o "amor de sua vida", é preciso decidir. Se pretende continuar procurando seu "amor de almas", há uma série de motivos (ou "desculpas") que podem ajudá-la a resolver a situação (namoro) e prosseguir na sua busca. Uma separação será inevitavelmente um momento doloroso, seja para quem decidiu romper o vínculo amoroso, seja àqueles que receberão a notícia de que a história a dois chegou ao fim. Para a psicóloga Carmen Cerqueira Cesar, não há como evitar que ambos sintam-se decepcionados.

“Mesmo quem escolheu acabar com a relação sofrerá, por saber que irá magoar o outro”, afirma. No entanto, ainda que a situação seja delicada e por vezes constrangedora, não há como evitar uma conversa franca. Isso quer dizer marcar um encontro com o parceiro ou parceira para um bate-papo face a face. Terminar por email, telefone ou MSN, nem pensar.
“Vivemos em uma época em que tudo parece ser descartável, mas não devemos tratar as relações da mesma forma”, diz Carmen. Para a especialista em relacionamentos é preciso ser mais atencioso com as pessoas, especialmente aquelas com quem você tem um histórico afetivo. Resumindo, nada de terminar via post-it, como já foi retratado na série que ganhou versão para o cinema “Sex and the City”.

Em um certo episódio, Carrie é surpreendida com um cartãozinho amarelo com as últimas palavras do futuro ex. Dá para ter menos classe? Sim, ao recorrer a lugares-comuns que representam uma saída cômoda para o fim do relacionamento, mas que pode machucar quem, por azar no amor, será notificado. Carmen lista as principais frases que, embora ouvidas a exaustão, não deveriam nunca ser proferidas. Confira-as e, caso as ouças, saiba seu significado real.

O problema não é com você, é comigo
A frase não poderia ser mais vazia. “Esse discurso sinaliza que a pessoa tentou, sem sucesso, usar palavras que não magoariam o outro”, diz Carmen. Para a psicóloga, pode acontecer de essa frase ser verdadeira.

“Quem está enfrentando uma situação difícil como a perda do emprego ou problemas familiares pode não ter disposição para um relacionamento. Mas se o sentimento é verdadeiro, por que não unir forças para superar a crise juntos?” Afinal, quem gosta quer ficar junto, não quer dar chance para outra pessoa aparecer.

Eu quero cuidar da minha carreira
Não há nada de errado em uma ambição saudável. Algumas pessoas, preocupadas com o desempenho profissional querem mesmo mais tempo para se dedicar à carreira, aos estudos etc. No entanto, com um pouquinho de conversa e organização não é preciso terminar um relacionamento. “Pode-se reduzir os encontros para os finais de semana, negociar o tempo juntos... Mas terminar, só quando acaba o amor”, sentencia a psicóloga

Eu preciso de um tempo
Pedir um tempo é uma forma de terminar o relacionamento aos poucos e ir se afastando discretamente. Em alguns casos, como em tempos de discussões excessivas ou depois de uma briga séria, o pedido pode expressar um desejo verdadeiro. “Nesse cenário, pode ser interessante se afastar para refletir”, diz Carmen. Mas a profissional afirma que esse acordo deverá ser muito bem conversado.

Do contrário, um dos lados pode passar a experimentar novas aventuras enquanto o outro espera com a vida no pause. “É preciso ler nas entrelinhas. Se o relacionamento era sólido e amoroso, esse tempo pode ser útil”, afirma. “Caso o casal esteja com as bases estremecidas, o pedido de um tempo pode significar simplesmente o fim. Seja qual for o motivo, Carmen sugere que, ao ouvir essa frase, não se deixe de viver e curtir a vida. “Afinal, não há garantias no amor”.

Eu não estou pronto para um relacionamento
Com você. Essas são as duas palavras que faltam nessa frase e que por isso fazem ela soar tão desonesta. “Não é raro os casos de pessoas que disseram isso e logo se envolveram em relacionamentos sérios com outro alguém”, alerta Carmen.

“Muitos homens fazem esse discurso quando percebem que um relacionamento sério é o objetivo da parceira”, diz. “Para não machucá-las, colocam um ponto final no momento que percebem o envolvimento da companheira”. Portanto, se você ouviu esse clichê, vale considerar se envolver com alguém com os mesmos interesses que você, em vez de esperá-lo estar pronto.

Nós podemos voltar a ser amigos
Depois de um relacionamento onde ambos foram cúmplices, sinceros e verdadeiros, é natural que o casal mantenha laços de amizade. Acontece que muitas vezes a relação desde o início era de ordem amorosa. “Quando nunca houve amizade, fica difícil saber como voltar a ser só amigo”, afirma Carmen. Portanto, cuidado para os cenários onde essa frase é usada para deixar as portas abertas para possíveis re-encontros amorosos que só farão sofrer quem ficou para trás.

Você merece encontrar uma pessoa melhor
Essa é uma tentativa de terminar a relação de forma honrosa, mas quer dizer tão pouco quanto o discurso do ‘o problema não é com você’. Isso porque essa afirmação não dá pistas ou justificas do motivo do fim do relacionamento e, com isso, não abre margens para questionamento ou mesmo para a possibilidade de encontrar uma solução. Em outras palavras, quem escolhe essa saída não é mesmo a melhor pessoa para estar ao seu lado.

Eu conheci uma pessoa
Ainda que sincera e na maioria das vezes verdadeira, essa é uma das frases mais cruéis. Ela atesta que, além de haver uma terceira pessoa, o relacionamento já estava ruim antes, do contrário não haveria espaço para mais ninguém. Para Carmen, não é preciso informar, no fim do relacionamento, que você já está envolvido com outro. “Existem casais que formam esse pacto e esperam essa sinceridade um do outro”, diz. Ainda assim, o dia do adeus não é o melhor momento para avisar que o coração já está preenchido.

NOMES IGUAIS UNE CASAL ATRAVÉS DO FACEBOOK

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Fãs do Facebook, Kelly Hildebrand, 23 anos, e Kelly Hildebrand, 20 anos, não são a mesma pessoa e não tem o mesmo perfil no site de relacionamento, apesar de possuírem nomes iguais. Além da diferença de idade, o primeiro é um é homem, enquanto a segunda é uma mulher.

Os dois se conheceram no site de relacionamento pela simples curiosidade da estudante Kelly Hildebrand, 20 anos, em achar um outro usuário com o mesmo nome que o dela. Nesta brincadeira, encontrou o também Kelly Hildebrand, 23 anos, funcionário de um pequeno negócio na Flórida, Estados Unidos.

De um simples contanto inicial, os dois se aproximaram, engataram um namoro e vão ver esta história cibernética terminar no altar .

Temendo um possível grau de parentesco próximo, o futuro casal Hildebrand se comunicou por e-mails durante três meses até decidirem se conhecer pessoalmente.

13 de dez de 2009

CASAL É CONDENADO POR REATAR CASAMENTO

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A separação de um casal virar caso de polícia é comum. Na Espanha, foi a reconciliação que foi parar nos tribunais. E terminou em condenação. Um homem e sua ex- (e agora atual) mulher foram condenados à prisão porque descumpriram uma ordem judicial para manterem-se longe um do outro.

O casal havia se separado no ano passado. De acordo com uma sentença de setembro de 2008, o marido – identificado pelo jornal espanhol El País pelas iniciais M. H. E. K. – deveria manter uma distância mínima de 500 metros da mulher e não se comunicar com ela, por 40 meses. Ele foi denunciado por violência doméstica.

No mês passado, porém, eles resolveram reatar o relacionamento. Agentes da Guarda Civil em Motril, na província de Granada, flagraram os dois juntos.

Agora, por descumprir sentença judicial, o marido foi condenado a seis meses de prisão. A mulher, como cúmplice, terá de ficar quatro meses na cadeia. A condenação ocorreu apesar de ambos alegarem que estavam juntos por mútuo acordo.

A partir do jornal El País. Leia no original

12 de dez de 2009

AMOR PLATÔNICO É COMO UM VULCÃO INATIVO

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"Amor platônico é como um vulcão inativo" (Andre Pevostv).

Fala-se de amor das mais diversas formas: amor físico, amor materno, amor divino, amor à vida mas é o tipo de amor que tem relação com o caráter da pessoa e o que a motiva a amar, a querer agir em prol desse amor. Podemos dizer muito sobre a personalidade de uma pessoa baseando-se no tipo de amor que ela vivencia. Amar também tem o sentido de "gostar muito" e, sendo assim, é possível amar qualquer ser vivo ou qualquer objeto.

Amor Platônico é uma expressão popular usada para designar uma amor ideal, um amor impossível de atingir ou se realizar, um amor perfeito, puro e até casto. Mas o porquê desse adjetivo? Platão foi um filósofo grego, nascido em Atenas, discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles e foi quem desenvolveu a Teoria das Ideias ou Teoria das Formas. O conceito de Ideia, para ele, não é uma cogitação da razão ou da fantasia humana mas sim a realidade essencial. O mundo da matéria seria apenas uma sombra que lembraria a luz da verdade essencial.

Vincula-se o atributo "platônico" para expressar algo que existe apenas no plano subjetivo, do pensamento, mas é uma interpretação equivocada do conceito de Amor na filosofia de Platão. O amor em Platão é falta, ou seja, o amante busca no amado a ideia —a verdade essencial— que não possui e nisso supre a falta e se torna pleno, de modo dialético e recíproco. Em oposição ao conceito de Amor na filosofia de Platão está o conceito de Paixão. Essa seria o desejo voltado exclusivamente voltado para o mundo das sombras, abandonando-se a busca da realidade essencial.

As pessoas que amam sem serem minimamente ou totalmente retribuídas, amam alguém quem talvez nem saiba da sua existência ou da existência desse tipo de afeto por elas. Como poderiam saber? Esse amor platônico costuma ser individual, escondido a sete chaves lá dentro do peito, não há demonstração concreta alguma mas há um sofrimento constante. Mas por que elas fazem isso, qual o medo em se declarar e se arriscar?

Tudo bem, sei que a possibilidade do sofrimento pode ser devastadora e paralisante mas... viver na solidão também não é? Já pensou que, talvez, você possa despertar no outro o afeto? Que ele possa cogitar em te amar também? Em algum momento é preciso sair desse plano das idéias e ir para o plano da ação, quem não arrisca não petisca. Pense nisso.

Psicóloga clínica e mestre em neurociências. Veja outros artigos
Imagem: KrätzschePhotography  (happy with you!)

8 de dez de 2009

VOCÊ JÁ ENCONTROU O AMOR DE SUA VIDA ?

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Meses atrás perguntamos aos membros de nossa Rede de Amigos o que eles tinham a dizer sobre a expectativa ou a experiência de ter encontrado aquele ou aquele que poderia ser chamado de "amor de uma vida". Muitos dos integrantes da Comunidade Amor de Almas e leitores do blog também aceitaram o desafio de abrir seu coração e revelar um pouco de sua vida. Abaixo, alguns dos depoimentos mais tocantes. Mas ainda esperamos sua participação, nos comentários, por e-mail ou entrando em nosso fórum.

Cleidimar Vieira - Acredito que amor é plenitude e sempre que me envolvo com alguém, faço com todo o amor que posso destinar a alguém. Casei-me com um homem com quem namorei 6 anos e fui noiva por um ano. Um amor que, naquele instante, tinha certeza que era o grande amor de minha vida. O conheço desde meus quinze anos de idade, hoje estou com trinta e seis. Mas após nos casarmos, nos separamos e estamos divorciados. Nossas duas filhas são um elo eterno e considero o substrato de nosso encontro.

Depois dele, namorei e fiquei noiva com outro homem por quase dois anos, e acreditava ser o grande amor de minha vida: ame-o com todo meu amor. Nem chegamos a nos casar. Conheci outra pessoa e novamente acreditei ser o amor de minha vida. Estamos fora de sintonia, não conseguimos continuar por causa das diferenças, é uma batalha para isso. O que considero que tive e ainda terei são encontros de almas com certeza. O verdadeiro amor é algo dentro de nós mesmos: ame, independente do outro. Tive um amor platônico que foi interrompido e passei algum tempo achando que esse era o verdadeiro amor de minha vida. Mas hoje tenho um nível de conhecimento mais amplo. Sei que amores do tipo Romeu e Julieta permanecem em nosso imaginário e se enraizam em nossos corações justamente porque não se concretizam. Não há tempo para nos depararmos com as diferenças que são essenciais para nosso engrandecimento espiritual. Momentos em que teremos que ser amigos e companheiros, em que deveremos exercer toda a nossa caridade com alguém que pode nos magoar. Eu já tive amores verdadeiros na minha vida, e já tive pessoas que nutriram verdadeiros amores por mim, mas duraram o tempo necessário para nosso engrandecimento de vida.

Inominado - Sequer sei se encontrarei.

Maria Aparecida - Por muitas vezes acreditei que sim, mas quando estava toda feliz, recebia a seguinte frase: "Estou amando outra pessoa". Aí fiquei muito desiludida, mas sei que ainda encontrarei a minha cara metade".

Cristiana Turques da Silva - Acredito que já encontrei por duas vezes dois tipos de amor que me fizeram achar que eram minha alma gêmea, eram almas que se identificavam... mas por fim não se completavam. Eu sentia uma tristeza enorme, uma falta de alguém que eu mesma não sabia quem era... Já fui casada, tenho meus filhos, mas mesmo assim não era feliz. Foi quando perdi, que eu encontrei quem eu tanto procurava.... Conheci pela internet, olha que engraçado... Depois de muitas conversas resolvemos nos conhecer e quando o vi pela primeira vez me apaixonei. Algo me fazia querer ele por perto e ele a mesma coisa . Reconheci pela alma e não posso nem pensar em perdê-lo... Demorou muito tempo para reencontrá-lo . Amo tudo o que vem dele, principalmente seus defeitos. Tenho um sentimento que conheço há muitos anos, apesar de ter encontrado meu amor há pouco tempo. Ele, com certeza, é meu "amor de alma".

Luisa Oliveira - Uma resposta bastante profunda a um tema tão complexo. Cada caso é um caso e eu considero que o amor da nossa vida somos nós próprios e espero não ser considerada egoísta por isso. E por vezes pode ser uma pessoa que nos faz descobrir a nós próprios, através de um simples olhar, durante uma fração de segundos. Durante esse instante simplesmente uma pessoa tem acesso à porta que encerra a nossa alma e nos liberta.

Nunca mais seremos os mesmos e nos dá a conhecer uma amor maior que envolve tudo que nos rodeia, mas principalmente os outros. Sim, porque demoramos toda a nossa vida a procurar o amor numa outra pessoa quando ele está em cada pessoa com quem cruzamos no dia-a-dia, se estivermos atentos e dispostos a tratar cada pessoa com consideração e atenção, o amor preenche-nos em cada conversa.

Essa pessoa nos ensina a ser generosos e a pedir a DEUS que em cada dia nos envie uma pessoa que precise da nossa ajuda e nos sentimos gratificados porque pudemos ser útil a alguém, tivemos uma palavra de esperança ou de estímulo para alguém que se sentia desesperado ou que achava que o seu problema não tinha solução.

Essa é a minha ideia do verdadeiro AMOR e só existe uma pessoa no mundo capaz de nos despertar para a outra dimensão, em que a maioria pode não ter acesso porque estão como que anestesiados e obcecados com a fantasia de viver o amor verdadeiro como nos filmes. a pessoa que nos despertou esse sentimento generoso e imenso pode nunca vir a ter noção disso ou conhecimento de tal coisa, porque isso não é o mais importante.

Esta é a minha idéia do verdadeiro amor e até poderá ser um disparate para os outros, mas o que é certo é que os nossos olhos passam a brilhar mais depois desse contecimento e nos sentimos mais leves. Parece que as pessoas à nossa volta sentem um brilho que nos rodeia, pois começam a fazer-nos elogios sobre a nossa visão positiva das coisas e nos tratam com mais estima, enfim mimamos os outros e recebemos de volta muitos mimos. Outros acham-nos ingênuos e nos dizem que temos um bom coração, mas afinal trata-se de despertar para uma AMOR mais vasto do que de duas pessoas apenas.

6 de dez de 2009

PAIXÃO NOS DEIXA COM BORBOLETAS NA BARRIGA

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Quando nos apaixonamos ficamos com "borboletas" na barriga, com um sorriso de orelha a orelha e com cara de tontos. Andamos desatentos e desligados, ansiosos e curiosos. Ostentamos felicidade e alegria. Entramos num "estado de embriaguez" e quase ficamos alucinados. Só vimos o que queremos ver e para qualquer discrepância que surja, acabamos sempre por inventar uma justificação e colmatar assim algo que poderá ser fatal numa possível relação. Esta fase tem um tempo de duração, de validade. Depois pode ou não conduzirnos ao amor.

O amor é algo que tem poder para nos destruir, algo que entregamos a uma pessoa em quem confiamos e que esperamos que não o utilize com tal propósito. Mas ás vezes acontece... O fogo apaga-se, a paixão desaparece e o amor transforma-se. Em troca, recebemos um atestado de propriedade privada, "uma anilha" para o tornar público, aumento de responsabilidades e tentativas de restauração, senão quase, a eliminação de grande parte do nosso carácter. O sexo perde o interesse e a vida quase que também.

Passamos a viver mecanicamente, entramos numa rotina e deixamos de sorrir. Vivemos oprimidos, aborrecidos, algumas vezes frustados e sonhamos em silêncio com a vida qque gostaríamos de ter. Pergunto eu...afinal o que se passa? TODOS somos livres.

Qualquer um de nós tem direito a equivocar-se, tem direito a apaixonar-se várias vezes e tem direito a amar quem quer que lhe apeteça. Ora quando somos amados, será concerteza pelo que somos, pela nossa essência, pela nossa natureza e pelo nosso carácter e/ou personalidade. Se somos verdeiramente amados, somos em tudo e por tudo, nas qualidades e nos defeitos, na saúde e na doença e, como tal, somos também merecedores de respeito como qualquer ser humano no planeta.

Temos direito a opinar e a fazer valer o nosso ponto de vista. Temos direito a expressar-nos livremente e a fazer tudo o que nos é possível (tendo em conta os limites) e que nos faz sentir bem. Aprendemos a confiar e demonstramo-lo vezes sem conta, utilizando as mais variadas formas de o fazer. Quem, depois de permitirmos que se aproprie de nós, tenta mudar-nos e moldar-nos à sua semelhança ou até aniquilar-nos enquanto detentores e proprietários de nós mesmos, não nos ama.

Quem cria em nós uma sensação de submissão e medo (que não deveremos confundir com respeito), e quem nos faz fechar dentro de nós, criar um mundo só nosso, e indagar a existência de uma vida feliz, efectivamente não nos ama. Quem não respeita os nossos familiares e amigos ou colegas, não nos ama. Quem não respeita os nossos momentos de reflexão e por conseguinte de solidão, não nos ama. Quem não sabe ler os nossos olhos nem compreende o nosso silêncio, não nos ama.

Quem não sabe ouvir o que dizemos, ou quem não sabe aperceber-se que necessitamos falar, nem tampouco nos permite fazê-lo, não nos ama. Afinal, meu queridos, que é feito do verdadeiro amor? Daquele em que se baseia a amizade, o carinho, o respeito, a compreensão, a solidariedade...? Como podemos permitir que alguém nos roube aos que verdadeiramente nos querem e nos tente manipular, usar e até mutilar psicologicamente, apenas para seu prazer e satisfação??

Somos ou não somos adultos, inteligentes, responsaveis e conscientes?? Somos adultos, porque temos a capacidade de gerir a nossa própria vida, somos inteligentes porque aprendemos, ensinamos e sabemos distinguir o certo do errado, o bonito do feio, o mau do bom; somos responsáveis, porque assumimos compromissos e sabemo-los cuidar, porque somos filhos, pais, companheiros e amigos dedicados, e somos conscientes porque sabemos que o mundo não tem fim. Que tudo começa onde acaba e acaba onde começa. Que há um sem número de pessoas que poderão querer-nos, respeitar-nos tal e como somos e amar-nos. É assim de simples. Claro como a água. Porque carga de água, nos temos que deixar dominar e quase desaparecer?? Porque não podemos apenas SER? Vamos mas é aprender a amar-nos a nós próprios.

Mas que jeito tem, acabar por não atender o telemovel só porque saímos a tomar uma cerveja com um par de amigos e estamos contentes? Ou então pior....atender o telemovel e justificar o nosso comportamento exemplar com uma transmissão em directo do cenário, da localização exacta, dos personagens e dos adornos, justificar o que comemos, o que bebemos, e como nos estamos a comportar, qual filho pequeno a sua mãe...acabando depois por ouvir, de acordo com a confiança, comentários machistas, feministas ou até impróprios por parte dos presentes. Fica então uma estranha sensação de desiquilibrio na vida sentimental e um mau estar, ou até vergonha e tristeza, e, uma vez mais, a cabeça lá nos leva para outros pensamentos...damo-nos conta de que já não somos livres...nem felizes....

Procuramos nesta vida, alguém para nos acompanhar e amar, alguém com um determinado perfil, de acordo com o que cada um de nós pensa. Se encontramos alguém que nos faz sentir bem, mas que tudo se traduz em momentos, ou numa quantidade de tempo limitado, porque seguir? Não nos devemos culpabilizar por deixar de amar alguém...devemos assumi-lo e contar-se-lho. Muitas vezes, se há que atribuir culpa, ela nem é nossa...no entanto, porque somos adultos e responsáveis, entendemos que assumimos um compromisso e que isso terá que durar sempre. Enganam-se! O segredo está em ter consciência de que o nosso amor para com essa pessoa acabou, admitir que queremos e podemos ser felizes com outro alguém e saber assumir um igual compromisso e responsabilidade para terminar a relação.

Não precisamos de ter alguém já, " no outro lado" à nossa espera, isso revela cobardia e falta de amor próprio quando serve para tomarmos uma iniciativa, ajuda, mas por si só não deverá justificar a nossa decisão. Basta darmo-nos conta de que ali, onde estamos agora, não é seguramente o nosso lugar. Que não queremos passar o resto das nossas vidas ao lado daquela pessoa. Não é difícil nem cruel. É só pensarmos mais em nós próprios e ver que vale a pena. Afinal todos o merecemos.

Procuramos atenção, carinho, sexo, respeito, admiração, alegria, entre tantas outras coisas fora das relações que temos porque efectivamente algo nos falta. Há uma ou mais lacunas, há espaços importantes por preencher, há sentimentos e emoções por dar e receber. Não é certo fazê-lo, para nada, mas por vezes somos levados a tal devido à dimensão das nossas carências. Vamos pensar bem em tudo isto e apostar em nós, vamos ser razoavelmente destemidos e ousados e procurar bem "a outra metade de nós". Algures por aí, havemos de a encontrar. Beijos e abraços!

Vanda Oliveira

5 de dez de 2009

POR AMOR, PADRE FOGE COM JOVEM DE 18 ANOS

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Em Carvalho, Portugal, as opiniões dividem-se entre populares incrédulos e aqueles que consideram o comportamento do padre Rui uma “atitude de homem”. A maioria, no entanto, chocada. Quase que esta história se poderia igualar à de Eça de Queiroz, de "O Crime do Padre Amaro", não fosse o jovem padre ter fugido com uma jovem fiel. A fuga foi o resultado de uma recusa: o padre Rui – com 26 anos e apenas 16 meses de sacerdócio - fugiu com Fátima, de 18.

Desapareceram no final da semana passada, depois de o jovem padre ter pedido “permissão” à família de Fátima para se casarem. Mas os pais adotivos da jovem, tradicionalistas, recusaram a idéia. O sacerdote esperou então que Fátima completasse os 18 anos – que fez um dia antes da fuga -, escreveu uma carta de despedida ao arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, e fugiu com ela, ao que tudo indica, para Espanha.

Rui Manuel Saraiva Pereira - pároco em Basto, Santa Tecla e Borba da Montanha – foi ordenado padre em Braga, no dia 20 de Julho de 2008.

A partir do Diário de Notícias (Portugal). Leia texto original

SIMPLESMENTE AMOR: HISTÓRIAS QUE SE CRUZAM

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Ontem eu assisti pela quinta ou sexta vez o filme "Simplesmente Amor (Love Actually)", de 2003. Não sei se vocês conhecem, mas ele conta a história de 8 pessoas que moram em Londres e que vivem histórias de amor de diferentes formas, a maioria delas até se cruza em algum momento. Tudo acontece nas semanas que atentecedem o Natal e na noite de Natal em si. O filme é lindo, um dos meus preferidos. Reúne nomes como Colin Firth, Hugh Grant, Emma Thompson, Keira Knightly, Rodrigo Santoro, entre outros. Eu gosto muito da sensibilidade em histórias comuns, cotidianas: o amor entre amigos, a abdicação do amor, o amor maduro, o impossível, o platônico, o recém-descoberto....

De todas as histórias do filme, as que mais gosto são a do Colin Firth (amo) e a sua ajudante. Ele escritor inglês, ela portuguesa. Ele se refugia numa casa na França para escrever um livro e lá ela é a pessoa que está empregada como ajudante no tempo em que ele permanece na casa. Eles não se entendem porque não falam a mesma língua. Mas ainda assim conversam e, sem saber, estão quase sempre dizendo a mesma coisa um ao outro. E se apaixonam mesmo assim. As cenas são super sensíveis.



A segunda é a do rapaz que se apaixona pela noiva do melhor amigo (Keira Knightly). Em silêncio, ele filma o casamento dos dois. De volta da lua de mel, a esposa do amigo pede para ver a filmagem. Ele disfarça, tenta se esquivar, mas é obrigado a exibir o filme. Para o espanto da moça, o filme só tem imagens dela na festa, closes, lances lindíssimos que ele captou durante a cerimônia e a festa, editados com músicas lindas de fundo. Ela então percebe que ele é apaixonado por ela e por isso mal lhe dirigia a palavra quase sempre. Na noite de Natal, mais uma vez em silêncio, ele buzina em sua porta e faz uma declaração de amor através de cartazes, para não chamar a atenção do amigo. Um declaração consciente de que o amor entre eles é inviável. Cena linda!




Eu adoro histórias de amor. E quando amo um filme, assisto muitas vezes! Sempre levanto mais leve do sofá.

Liana Barros
A paretir do blog Intuitif. Leia texto original

3 de dez de 2009

ÚLTIMO SONETO DE AMOR DE MACHADO DE ASSIS

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Quando a esposa de Machado de Assis morreu, o escritor, muito triste, escreveu um poema, um verdadeiro réquiem, no qual se despede de Carolina. O soneto, intitulado "A Carolina", faz parte do livro "Relíquias de Casa Velha", publicado em 1906, e foi o último escrito pelo autor. O também escritor Manuel Bandeira destacou este poema como uma das peças mais comoventes da literatura brasileira, de acordo com o "Almanaque Machado de Assis".

O livro "Toda Poesia de Machado de Assis", de Cláudio Murilo Leal, que reúne pela primeira vez toda a obra poética de Machado de Assis, apresenta o poema e traz uma breve análise. Saiba mais sobre o livro. Leia abaixo o trecho do livro que apresenta "A Carolina" e a análise do poema.

* * *
A Carolina

Querida, ao pé do leito derradeiro
Em que descansas dessa longa vida,
Aqui venho e virei, pobre querida,
Trazer-te o coração do companheiro.

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

Trago-te flores, - restos arrancados
Da terra que nos viu passar unidos
E ora mortos nos deixa separados.

Que eu, se tenho nos olhos malferidos
Pensamentos de vida formulados,
São pensamentos idos e vividos.

* * *

Carolina Augusta Xavier de Novaes e Joaquim Maria Machado de Assis casaram-se no dia 12 de novembro de 1869 e viveram uma plácida e amorosa vida conjugal durante 35 anos. A morte da esposa, em 1904, deixa Machado abatido e queixoso. Em carta a Joaquim Nabuco, datada de 20 de novembro do mesmo ano, escreve, lamentando-se: "Foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo."

Em 1906, depois de terem sido publicadas as Poesias completas, o poeta escreve seu mais pessoal e profundamente sofrido poema, um verdadeiro réquiem, intitulado "A Carolina". Talvez, para não demonstrar vestígios de um sentimentalismo piegas, Machado elege uma forma poética que reverencia também, sutilmente, o tom e a textura camonianos. Essa aproximação estilística à linguagem castiça, que renova, mais do que copia, no século XX, o sabor do verso quinhentista, foi observada por J. Mattoso Câmara, no ensaio "Um soneto de Machado de Assis".

Ao lado de conhecidos poemas como "Círculo vicioso" e "A mosca azul", o soneto "A Carolina" é considerado a mais comovente pedra de toque da obra poética de Machado de Assis. No ano de 2006, comemorou-se o centenário de "A Carolina", publicado pela primeira vez no livro Relíquias de casa velha, soneto que não foi recolhido em algumas edições das poesias completas.

"Toda Poesia de Machado de Assis"
Autor: Cláudio Murilo Leal
Editora: Record
Páginas: 756

2 de dez de 2009

SEQUESTROS TRAZEM A MORTE DO AMOR

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"Levaram um homem e devolveram outro", afirmou com um toque de dor Lucy de Géchen, no dia em que anunciou o divórcio de seu marido, Jorge Eduardo. Tinham passado apenas quatro meses desde que ele, com 20 quilos a menos, cabelos esbranquiçados e aparência de muitos anos a mais do que realmente tinha, recuperara a liberdade depois de seis anos seqüestrado pela guerrilha Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). "Se apaixonou por outra", acrescentou Lucy sentida.

Não é um caso isolado. Os seqüestros, todos eles, causam um efeito emocional enorme. Tão grande que os sentimentos mudam. E se transformam no que está lá, isolado, humilhado, e no que fica sonhando com o abraço de boas vindas. Quarenta e oito por cento dos casais concordam que a dolorosa experiência afetou suas relações, como afirma a fundação País Livre, que tenta decifrar as mais profundas marcas deixadas pelo seqüestro, que na Colômbia prolifera com as Farc, o narcotráfico e a criminalidade comum. Foi o que disse Jorge Eduardo Géchen em um comunicado público: "Nossa separação é uma das seqüelas que nos deixaram esse seis anos de profundo sofrimento".

Na Colômbia não passou despercebida para ninguém a frieza, a indiferença com que Ingrid Betancourt saudou seu segundo marido, Juan Carlos Lecompte, ao chegar a Bogotá depois de seu resgate em 2 de julho passado. Ela viajou um dia depois para Paris e ele ficou em Bogotá. Para conter os rumores e as conjecturas, Lecompte deu a cara. Em uma entrevista ao jornal "El Tiempo", abriu sua alma: "Esperava um abraço forte", disse. "O amor por mim pode ter se acabado na selva." E afirmou que as fofocas sobre as supostas relações que ele teve podem ter levado a esse frio encontro.

A diretora da País Livre, Olga Lucía Gómez, explica graficamente o que acontece. "É um filme de vídeo; alguém dá pausa, pára o filme e entra em outro mundo. No momento de voltar, deseja que ao apertar de novo pausa continue rodando o mesmo filme; mas acontece que não é mais a mesma." É o mesmo processo que vivem as famílias. "Voltar a combinar esse acúmulo de vivências e sentimentos, colocá-los em um só caminho, é um tema muito complexo", afirma a psicóloga.

Os rumores sobre o que acontece aqui e lá estão na lista dos fatores que influem para que o desejado encontro não funcione. Há outros. Nas intermináveis horas de solidão há tempo para revisar, para avaliar cada expressão da relação. Às vezes essa reavaliação não coincide. E há a mudança de papéis. O homem volta e encontra sua mulher - antes tímida e dependente - transformada em hábil negociante, desenvolta em cenários públicos pois assumiu, em sua ausência, a bandeira contra o seqüestro, o manejo do dinheiro...

Clara Rojas, seqüestrada com Ingrid Betancourt no início de 2002, afirma que retomar o fio da "novela em pausa" é mais fácil para o seqüestrado. "As famílias mudam mas estão no mesmo ambiente. Mas nós tivemos uma vivência totalmente diferente, difícil de explicar e conseguir que se entenda com a óptica daqui."

Sua experiência foi especialmente dramática. Dois anos depois do seqüestro soube que estava grávida de um guerrilheiro. Sempre quisera ser mãe. Nesse momento tinha 40 anos e pensou: "E se depois não surgir a oportunidade? Por isso não me coloquei a opção de abortar: decidi lutar por meu filho", conta, enquanto acaricia a pulseira cheia de imagens de virgens que ganhou de presente de um de seus irmãos. E foi uma decisão difícil de explicar aos que compartilhavam com ela um cárcere de arame no meio da selva. "Sobretudo os homens estavam inquietos, muito preocupados. Eu lhes disse: como nenhum de vocês é o pai, fiquem tranqüilos, o problema é todo meu. E tomei o controle de minha situação."

Hoje Clara está "se reinventando", como ela mesma diz. Dedica-se a escrever um livro sobre sua dura experiência. O resto do tempo emprega em consentir ao amor que nasceu lá. Emmanuel, de 4 anos, grandes olhos pretos e uma franja lisa sobre a testa. "A gente muda, torna-se mais prática, menos apaixonada. Me pergunto, entre outras coisas, se terei a capacidade de voltar a me apaixonar..." Diz isso como se pesasse cada palavra, no meio de um sorriso tímido. Tenta falar o mínimo. Acredita que é a maneira de "cicatrizar feridas".

"No seqüestro é preciso construir outra vida. Tem de ter algum sentido, algum significado o que se faz lá", afirma, enfática, Olga Lucía Gómez. Enquanto fuma, conta que muitos guardam os sentimentos, os bloqueiam - "se pensar muito em sua família, enfraquece" - e concentram toda a energia em sobreviver, enfrentar o presente. "Nas experiências limites, se você não canaliza os sentimentos de amor para algo ou alguém, há menos possibilidade de viver..."

E esse amor se canaliza às vezes para um companheiro de pesadelo. Uma ex-seqüestrada confessou a este jornal que teve opções de se envolver com reféns como ela, mas as recusou. "Todos eram homens casados e não sabíamos se realmente se esforçariam para mudar sua vida quando voltassem." Ela não queria somar outra dor ao seu calvário. Hoje se alegra. Alguns de seus companheiros "não visualizaram a encruzilhada que os esperava ao recobrar a liberdade e hoje sofrem diante de um novo dilema".

Esses amores que nascem no meio do seqüestro quase nunca sobrevivem. Perduram fortes laços de lealdade, se dilui a paixão. Dary Lucía Nieto, psicóloga da País Livre, fala de outras relações que ocorrem no âmbito da sobrevivência, que são difíceis de curar. As de afeto, de agradecimento, pelos captores que tiveram gestos mínimos de humanidade. Uma mulher, ela conta, chorava e tinha saudade do guerrilheiro que, no meio das eternas marchas pela selva, a carregava no ombro quando ela tinha os pés cheios de bolhas.

Mas também há seqüestrados que não têm opção de tentar o reencontro. Um dos 11 soldados que voltou à vida junto com Ingrid Betancourt descobriu que sua mulher já tinha uma família com outro... E também aconteceu com o ex-chanceler Fernando Araujo, que foi seqüestrado quando estava estreando o segundo casamento com uma mulher bem mais moça. Pouco tempo depois começou a estranhar as mensagens dela por rádio - na Colômbia há programas dedicados a enviar mensagens para seqüestrados -, perguntou aos seqüestradores buscando respostas para o silêncio. Mas só quando voltou, seis anos depois, confirmou o que havia se negado a aceitar: ela era feliz ao lado de seu novo marido e seu pequeno filho. Hoje o ex-chanceler também reencontrou o amor. Como diz Olga Lucía Gómez, o seqüestro, que se vive e depois se assimila de diferentes maneiras, às vezes é possível esquecer, mas sempre deixa marcas.

A partir do jornal El País. Leia texto na íntegra

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