Quando nos apaixonamos ficamos com "borboletas" na barriga, com um sorriso de orelha a orelha e com cara de tontos. Andamos desatentos e desligados, ansiosos e curiosos. Ostentamos felicidade e alegria. Entramos num "estado de embriaguez" e quase ficamos alucinados. Só vimos o que queremos ver e para qualquer discrepância que surja, acabamos sempre por inventar uma justificação e colmatar assim algo que poderá ser fatal numa possível relação. Esta fase tem um tempo de duração, de validade. Depois pode ou não conduzirnos ao amor.

O amor é algo que tem poder para nos destruir, algo que entregamos a uma pessoa em quem confiamos e que esperamos que não o utilize com tal propósito. Mas ás vezes acontece... O fogo apaga-se, a paixão desaparece e o amor transforma-se. Em troca, recebemos um atestado de propriedade privada, "uma anilha" para o tornar público, aumento de responsabilidades e tentativas de restauração, senão quase, a eliminação de grande parte do nosso carácter. O sexo perde o interesse e a vida quase que também.

Passamos a viver mecanicamente, entramos numa rotina e deixamos de sorrir. Vivemos oprimidos, aborrecidos, algumas vezes frustados e sonhamos em silêncio com a vida qque gostaríamos de ter. Pergunto eu...afinal o que se passa? TODOS somos livres.

Qualquer um de nós tem direito a equivocar-se, tem direito a apaixonar-se várias vezes e tem direito a amar quem quer que lhe apeteça. Ora quando somos amados, será concerteza pelo que somos, pela nossa essência, pela nossa natureza e pelo nosso carácter e/ou personalidade. Se somos verdeiramente amados, somos em tudo e por tudo, nas qualidades e nos defeitos, na saúde e na doença e, como tal, somos também merecedores de respeito como qualquer ser humano no planeta.

Temos direito a opinar e a fazer valer o nosso ponto de vista. Temos direito a expressar-nos livremente e a fazer tudo o que nos é possível (tendo em conta os limites) e que nos faz sentir bem. Aprendemos a confiar e demonstramo-lo vezes sem conta, utilizando as mais variadas formas de o fazer. Quem, depois de permitirmos que se aproprie de nós, tenta mudar-nos e moldar-nos à sua semelhança ou até aniquilar-nos enquanto detentores e proprietários de nós mesmos, não nos ama.

Quem cria em nós uma sensação de submissão e medo (que não deveremos confundir com respeito), e quem nos faz fechar dentro de nós, criar um mundo só nosso, e indagar a existência de uma vida feliz, efectivamente não nos ama. Quem não respeita os nossos familiares e amigos ou colegas, não nos ama. Quem não respeita os nossos momentos de reflexão e por conseguinte de solidão, não nos ama. Quem não sabe ler os nossos olhos nem compreende o nosso silêncio, não nos ama.

Quem não sabe ouvir o que dizemos, ou quem não sabe aperceber-se que necessitamos falar, nem tampouco nos permite fazê-lo, não nos ama. Afinal, meu queridos, que é feito do verdadeiro amor? Daquele em que se baseia a amizade, o carinho, o respeito, a compreensão, a solidariedade...? Como podemos permitir que alguém nos roube aos que verdadeiramente nos querem e nos tente manipular, usar e até mutilar psicologicamente, apenas para seu prazer e satisfação??

Somos ou não somos adultos, inteligentes, responsaveis e conscientes?? Somos adultos, porque temos a capacidade de gerir a nossa própria vida, somos inteligentes porque aprendemos, ensinamos e sabemos distinguir o certo do errado, o bonito do feio, o mau do bom; somos responsáveis, porque assumimos compromissos e sabemo-los cuidar, porque somos filhos, pais, companheiros e amigos dedicados, e somos conscientes porque sabemos que o mundo não tem fim. Que tudo começa onde acaba e acaba onde começa. Que há um sem número de pessoas que poderão querer-nos, respeitar-nos tal e como somos e amar-nos. É assim de simples. Claro como a água. Porque carga de água, nos temos que deixar dominar e quase desaparecer?? Porque não podemos apenas SER? Vamos mas é aprender a amar-nos a nós próprios.

Mas que jeito tem, acabar por não atender o telemovel só porque saímos a tomar uma cerveja com um par de amigos e estamos contentes? Ou então pior....atender o telemovel e justificar o nosso comportamento exemplar com uma transmissão em directo do cenário, da localização exacta, dos personagens e dos adornos, justificar o que comemos, o que bebemos, e como nos estamos a comportar, qual filho pequeno a sua mãe...acabando depois por ouvir, de acordo com a confiança, comentários machistas, feministas ou até impróprios por parte dos presentes. Fica então uma estranha sensação de desiquilibrio na vida sentimental e um mau estar, ou até vergonha e tristeza, e, uma vez mais, a cabeça lá nos leva para outros pensamentos...damo-nos conta de que já não somos livres...nem felizes....

Procuramos nesta vida, alguém para nos acompanhar e amar, alguém com um determinado perfil, de acordo com o que cada um de nós pensa. Se encontramos alguém que nos faz sentir bem, mas que tudo se traduz em momentos, ou numa quantidade de tempo limitado, porque seguir? Não nos devemos culpabilizar por deixar de amar alguém...devemos assumi-lo e contar-se-lho. Muitas vezes, se há que atribuir culpa, ela nem é nossa...no entanto, porque somos adultos e responsáveis, entendemos que assumimos um compromisso e que isso terá que durar sempre. Enganam-se! O segredo está em ter consciência de que o nosso amor para com essa pessoa acabou, admitir que queremos e podemos ser felizes com outro alguém e saber assumir um igual compromisso e responsabilidade para terminar a relação.

Não precisamos de ter alguém já, " no outro lado" à nossa espera, isso revela cobardia e falta de amor próprio quando serve para tomarmos uma iniciativa, ajuda, mas por si só não deverá justificar a nossa decisão. Basta darmo-nos conta de que ali, onde estamos agora, não é seguramente o nosso lugar. Que não queremos passar o resto das nossas vidas ao lado daquela pessoa. Não é difícil nem cruel. É só pensarmos mais em nós próprios e ver que vale a pena. Afinal todos o merecemos.

Procuramos atenção, carinho, sexo, respeito, admiração, alegria, entre tantas outras coisas fora das relações que temos porque efectivamente algo nos falta. Há uma ou mais lacunas, há espaços importantes por preencher, há sentimentos e emoções por dar e receber. Não é certo fazê-lo, para nada, mas por vezes somos levados a tal devido à dimensão das nossas carências. Vamos pensar bem em tudo isto e apostar em nós, vamos ser razoavelmente destemidos e ousados e procurar bem "a outra metade de nós". Algures por aí, havemos de a encontrar. Beijos e abraços!

Vanda Oliveira
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Sobre João Casmurro

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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1 comentários :

  1. Sabe eu sempre fui daquela opinião que as pessoas casavam apenas por causa dos filhos,nunca acreditei naqueles casementos somente por amos,comigo foi assim,casei pq fiquei gravida,e depois veio mais uma,foram 4 anos de casamento até que eu coloquei um fim em tudo,depois eu achava que nunca mais iria me casar novamente,até que encontrei a pessoa que hoje sou casada,quando eu o vi senti que foi amor,e não apenas sexo,e hoje eu acredito que as pessoas casam por amor,pois comigo agora foi assim,não temos filhos juntos,apenas as minhas do meu primeiro casamento,e hoje eu sinto que o que eu sinto é um verdadeiro amor,um amor para toda a eternidade...
    (4/12/2009 18:27:02)

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