Quando o excesso de sentimento acaba com a relação. “Meu erro foi amar demais”! Quem nunca ouviu alguém pronunciar essa frase após o término de um relacionamento? O desequilíbrio nas relações e consequentemente o seu fim, provocam em muitas pessoas o descontrole emocional e pode trazer conseqüências graves. O excesso de sentimento ao invés de ajudar, pode atrapalhar uma relação que no começo parecia ter tudo para dar certo.

O problema de “excesso de amor” atinge na maioria das vezes as mulheres. De acordo com especialistas, as mulheres são mais sensíveis, e se entregam mais rapidamente numa relação. O fim de um relacionamento frustrado, a vontade de mudar de vida ou até mesmo o medo da solidão, pode despertar nas pessoas um desejo de se relacionar. Encontros, conversas ao telefone, programas. Tudo começa muito bem. Os encontros se tornam freqüentes e o interesse mútuo se torna cada vez mais visível. É neste momento que é necessário ficar atento e se voltar para si. Antes de se envolver é necessário se preocupar com outros pontos de sua vida e principalmente se amar em primeiro lugar. Do contrário, o sentimento pode se transformar em doença e causar o efeito contrário do que antes se esperava.

De acordo com a psicóloga Silvia Rezende, o sentimento de amar demais e até depender do outro para obter a própria felicidade, é chamado amor patológico. O amor patológico é uma doença que causa dependência como se fosse um entorpecente, mas neste caso a droga não é química e sim o parceiro. Segundo a psicóloga, quando alguém abandona os amigos e o parceiro passa a ocupar mais espaço que a família, o trabalho e outros afazeres ou o medo da relação acabar é incontrolável, é certo que o amor e o relacionamento deixou de ser algo saudável.

A maioria das pessoas que vivem esse dilema de amar em excesso acabam deixando de lado a vida profissional e pessoal. E, é nesse momento que é hora de procurar ajuda profissional. A estudante, de 22 anos, Simone, viveu por cinco anos uma história que ela chamava de amor, mas que no final ela classificou como possessão. “Não sabia mais o que fazer, não tinha vontade de fazer nada, vivia para agradar meu namorado ou procurar vestígios de traição”, afirma Simone. A psicanalista Valéria Machado afirma que as mulheres que se encontram nessa situação, são tão ligadas a um homem, que mesmo sabendo se tratar de uma pessoa errada para aquele momento, não querem esquecê-lo e nem procurar ajuda. Foi passando por momentos assim que a estudante procurou ajuda, e começou a freqüentar reuniões do MADA, Mulheres que amam demais anônimas. “Falar com pessoas que vivem o mesmo problema foi um passo para enxergar tudo aquilo que estava acabando com minha vida. Foi uma maneira de ver a situação do lado de fora.”

Sofrer demais no fim de uma relação por conta do excesso de sentimento, não é um problema exclusivamente feminino. Apesar de parecer que são fortes e destemidos, alguns homens acabam se entregando demais em um casamento ou namoro, e no final se frustram por não serem correspondidos. O aposentado José Geraldo viveu um casamento de sete anos onde tudo parecia perfeito: “ Eu vivi a minha vida por ela, era o homem dos sonhos. Lavava, cozinhava, cuidava da nossa filha e ainda trabalhava muito. Um dia minha esposa chegou em casa depois de uma viagem e pediu o divórcio. Disse que estava confusa e se sentia sufocada pelos meus sentimentos. Sofri muito e demorei dez anos para refazer minha vida.”

No ano de 2003, foi ao ar pela rede Globo a novela Mulheres Apaixonadas. Um dos temas abordados pela trama, foi o drama de Heloísa, personagem de Giulia Gam. Casada com Sérgio, (Marcelo Antony), Heloísa sentia um sentimento tão grande pelo marido que a fez perder até o próprio controle emocional e amor próprio. Impulsionada por essa obssessão, a personagem chega a fazer ligadura de trompas por medo de engravidar e ter que dividir a atenção do marido com a criança. Após crises e internações, Heloísa é aconselhada por familiares a procurar ajuda. O autor da telenovela Manoel Carlos, procura por meio da ficção mostrar o trabalho do MADA, grupo de apoio que reúne mulheres em todo Brasil.

O MADA é um programa de recuperação para mulheres que têm como objetivo se recuperar da dependência de relacionamentos destrutivos, aprendendo a se relacionar de forma saudável consigo mesma e com os outros. O grupo foi criado baseado no livro "Mulheres que Amam Demais", de 1985, da autora Robin Norwood. No Brasil o primeiro Grupo MADA foi aberto em São Paulo, por uma mulher casada com um dependente químico que se identificou com a proposta do livro. O Grupo cresceu e, atualmente realiza de 40 reuniões semanais no Brasil distribuídas em 13 Estados.

Hoje são vários os meios para se curar do mal do amor destrutivo, algumas pessoas recorrem a grupos como o MADA, outras procuram terapia, mas todas com um mesmo objetivo, conquistar a confiança e o amor próprio. No caso da dona de casa Cibele Soares, 27 anos, os sentimentos eram os mesmos, porém a procura por ajuda foi diferente. “Me sentia muito mal, até que procurei uma academia e me matriculei em dança de salão, e hoje vivo bem com meu marido, amo, mas de forma diferente.”

De acordo a psicanalista Valéria Machado a dependência emocional é o medo de perder.,ausência de confiança e baixa-estima. As pessoas que sofrem desse mal, precisam do outro para conquistar a felicidade. E o primeiro passo é acreditar que aquilo está fazendo mal e procurar amar de forma saudável. A partir daí mudar a frase “diga onde você vai que eu vou varrendo” por “eu varro meu próprio caminho”.

Amanda Goulart e Júlia Leal
A partir do Blog Amanda Goulart. Leia no original
Imagem: h.koppdelaney
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Sobre João Casmurro

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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1 comentários :

  1. O texto é ótimo, assim como o Blog, vcs saberiam indicar grupo como o MADA que podem ser frequentados por homens com sintomas de AMOR PATOLOGICO?
    Anonimo

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