"Antes de mais nada, hoje tenho a plena certeza que nunca fui uma pessoa triste. Só que apenas via o lado negativo das coisas e gostava de me fazer de vítima. Nasci de seis meses, com apenas 900 gramas e 27 cm, motivo pelo qual os médicos não davam nada pela minha sobrevivência. Mas sobrevivi, embora com sequelas nos movimentos. Tive dificuldades e consegui superá-las, só que quis me achar coitada. Veio a adolescencia, minha supra renal falhou, levando-me a uma hidronefrose -- inchei demais, todos zoavam de mim e achava que ninguem queria ficar comigo. Mas quem se machucava, quem se desprezava era eu mesma... Nessa época comecei a sonhar todas as noites com um belo rapaz moreno, que sorria pra mim e me passava força. A vida foi caminhando e eu me fazendo de vítima, usando a hidronefrose, para manipular a atenção dos outros, chantagista emocional... Não percebia a família maravilhosa que sempre estava ao meu lado. Sentia-me feia. Assim os anos foram passando, desencontros e mais desencontros, e o sonho continuava, até que numa grande desilusão amorosa decidi que ia me matar. Neste dia sonhei com meu padrinho (já falecido), que revelou que eu encontraria uma pessoa. Pois logo depois, através do Orkut, encontrei o mesmo garoto pelo qual me apaixonei aos 11 anos de idade. E este amor lapidou minha alma, meu cárater... Pois esse sentimento salvou minha vida, por duas vezes, do suicídio. Percebi que amar alguém por si só, indepedente de ser correspondida, já é uma benção". (C.J. - Comunidade Amor de Almas)

Este depoimento é exemplar e cada vez mais comum neste espaço e entre os participantes de nossa Rede de Amigos. ão pessoas afetadas pela dor da rejeição ou pelas experiências da vida e que, repentinamente, como que recebendo uma revelação, passam a acreditar e encarar o amor de maneira pura e absoluta.

Defendemos este sentimento para os casais e alertamos para o risco de se deixar de lado o amor próprio para viver uma “relação” absolutamente platônica. Mas não deixa de ser sintomático este tipo de tendência, que de resto demonstra a maturidade e o entendimento de um sentimento completo que é o amor.

Não por acaso, lembrei-me de um mini-conto de autoria de Barry e Joyce Vissel, cujo título é “Amor Verdadeiro” e que conta a história de Moses Mendelssohn, avô do conhecido compositor alemão Felix Mendelssohn. Pobre e doente desde criança, ele estava longe de ser bonito. Além de ter baixa estatura, era concurda. Um dia ele foi visitar um comerciante em Hamburgo, que tinha uma linda filha, chamada Frumtje, e se apaixonou perdidamente pela moça, Mas Frumtje sentia repugnância pela aparência de Moses.

Na hora de partir, Moses reuniu toda sua coragem e subiu ao quarto da jovem, aproveitando a última oportunidade de falar com ela, Era a mulher mais bonita que Moses já vira e ele sentia imensa tristeza por sua recusa em olhar para ele. Depois de várias tentativas de aproximação, Moses perguntou timidamente:

— Você acredita que os casamentos são decididos no céu?
— Sim _— ela respondeu, de olhos no chão. E você?
— Eu também — disse ele. Sabe, cada vez que nasce um menino, o Senhor anuncia com quem ele vai se casar. Quando eu nasci, me mostraram minha futura esposa e o Senhor disse: “Só que ela vai ser corcunda”. Então eu implorei: “Oh, Senhor, uma mulher corcunda... Esta será uma tragédia em sua vida. Por favor, Senhor, passe a corcunda dela para mim para ela continuar sempre linda”.

Frumtje levantou os olhos, movida por uma lembrança difusa. Deu a mão a Moses e, anos mais tarde, veio a ser sua esposa.

Para encerrar, fica uma frase de Erich Fromm sobre o amor: “No amor, ocorre o paradoxo de dois seres se tornarem um, mas continuarem a ser dois”.

Imagem : Flickr. Galeria: Zenera
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Sobre João Casmurro

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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