AMOR FAZ PERDER O FÔLEGO... E TAMBÉM O JUÍZO

Um flerte nas escadarias da Estação Sé do Metrô, na região central de São Paulo, se transformou em “um amor bandido” vivido pela auxiliar administrativa Sandra Regina Martins, de 39 anos. A jovem desapareceu no último dia 29/09 e só reapareceu na noite do dia 03/10. Nestes cinco dias, ela abandonou o emprego, deixou um carro com a bolsa em pleno Largo São Francisco, no Centro de São Paulo, vendeu o celular para poder se alimentar e pagar um quarto onde pudesse passar a noite e até entregou o cartão do banco, com a respectiva senha. Tudo para viver um grande amor.

“Quando o conheci, ele me disse que tinha lido a seguinte frase no Metrô: ‘O amor faz perder o fôlego, mas também faz perder o juízo’. Foi o que aconteceu comigo”, admitiu Sandra Regina. O homem que despertou tal paixão é Juan, que se apresentou, inicialmente, como médico da Santa Casa de Misericórdia. Desde o início, Sandra Regina se encantou. “Me senti muito atraída. Ele é muito charmoso, muito gentil, muito cativante”, contou. A história começou com um flerte em 21 de setembro na Estação Sé do Metrô. Depois da tradicional troca de telefones, mais um encontro no dia seguinte, uma terça-feira (22), e o consequente primeiro beijo, também na escadaria da estação do Metrô.

Com muitas gentilezas, cavalheirismo e histórias bem contadas, Juan, aos poucos, foi minando a pouca desconfiança que havia da parte de Sandra Regina. Em uma destas investidas, ele disse a ela que tinha vindo a São Paulo para tratar e operar um paciente na Santa Casa. “Eu estou viciado em você”: os dizeres de mais uma mensagem de celular foram o golpe fatal no coração de Sandra Regina, seguido por uma chantagem emocional, no dia 28, também uma segunda-feira. Ele disse que precisava conversar com ela e que tinha uma notícia boa e uma ruim para dar. “A boa: ‘Eu estou apaixonado por você. Nunca senti isso por ninguém. Larga tudo’. E depois ele me disse a ruim: ‘A minha ex- está hospedada no mesmo hotel que eu em São Paulo. Ela bloqueou o meu cartão, está tudo preso. Estou sem nada’. Falei que eu amava ele também, que estava apaixonada. Fiquei desesperada para ajudá-lo”, disse.

Em seu desespero para lhe estender a mão em um suposto momento difícil, Sandra chegou a levar Juan para sua casa na Zona Sul de São Paulo, onde mora com os pais, os irmãos e a filha de 11 anos, e até lhe ceder o cartão bancário, cujo saldo não passava de R$ 50, estima ela. “Ele pediu a senha do cartão e eu dei. Mas dei a senha errada, sem querer, e ele tentou fazer o saque de madrugada. Daí o cartão foi bloqueado.” Diante da difícil situação de Juan, ela deu uma desculpa no novo trabalho e, apesar dos apelos dos pais e irmãos, decidiu novamente se encontrar com o ‘médico’.

Já na noite de terça-feira, ambos sem dinheiro, decidiram vender os celulares para poder comer e arrumar algum lugar para dormir. O primeiro a ser negociado foi o dele. "Fomos para um hotel que o quarto custava R$ 30. Um lixo, mas tinha banheiro. Dormi com ele como marido e mulher”, disse. O carro, um Palio, já havia sido abandonado. Nos dias que se seguiram, muitas caminhadas, idas e vindas de norte a sul de Metrô pela cidade, a preocupação com a falta de dinheiro e apenas a vontade de viver cada vez mais um grande amor, sem se preocupar com as consequência e a família.

E, entre uma parada ou outra em bares e shoppings, um novo Juan começou a surgir. “Eu sou assaltante de banco, estou no crime há muito tempo. Não faço roubo pequeno, só milhões. Você vai ficar comigo?”. A resposta, segundo ela, saiu sem titubeios: “Vou ficar com você. Não vou te entregar. Não dormimos juntos?”. Mas, diante da separação iminente, ele orientou Sandra sobre o que dizer aos policiais. “Se te chamarem na delegacia para depor, você vai falar que você conheceu um bandido que te amou demais”, teria dito ele para ela.

Diante das dificuldades e riscos crescentes, a separação ocorreu às 22h30 de sábado na estação Luz da CPTM. Antes, porém, juraram se reencontrar às 11h de domingo (4) em frente à catedral da Sé. “No domingo, já aqui em casa, eu queria ir me encontrar com ele. Cheguei a pegar a chave para sair, mas não deixaram. Não tenho medo”, admitiu.

Aos poucos, no entanto, a ficha começa a cair, apesar de guardar boas lembranças de Juan. “Ele me tratou como uma rainha. Mas é um sonho que está virando um pesadelo. Minha foto está na mídia e agora não posso nem sair de casa”, lamentou. Depois do reencontro com os pais, os irmãos e a filha, a vida começa a entrar no eixo lentamente. Mas nunca mais será a mesma, admite Sandra Regina. “Quero levar a minha vida normalmente, mas isso me marcou para sempre. Foi um amor louco, um amor bandido”, finalizou, com os olhos mareados.
Imagem : Sandra Regina Martins: 'Foi um amor louco, um amor bandido' (Foto: Marcelo Mora/G1)
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Sobre João Casmurro

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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1 comentários :

  1. Gostei muito desse artigo. Eu ouvi uma única vez as palavras eu te amo de forma verdadeira e nunca me esqueci disso. Já faz alguns anos e ainda hoje, qdo me lembro, lágrimas de emoção correm de meus olhos. Infelizmente, não estamos juntos, mas as palavras valeram por toda uma vida.
    É bom ver que homens também sabem escrever sobre o amor. Parabéns!!!
    (8/10/2009 20:21:00)

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