Ele tem 94 anos. Ela, 91. Começaram a namorar no inverno de 1938. Casaram-se dez meses depois, no dia 3 de junho de 1939. Sete décadas, nove filhos, 21 netos e oito bisnetos depois, a juventude é só uma lembrança. Mas o amor ainda é o mesmo. Seu Fortunato Gadotti é um eterno apaixonado por dona Adélia. Isto fica claro no olhar galanteador e no beijo carinhoso que ela recebe a todo momento do marido.

Portadora do Mal de Alzheimer, ela não fala nem se locomove há oito anos. É ele quem conta a esta bonita história de amor. O namoro começou em uma festa de igreja na cidade de Rodeio, no Vale do Itajaí. Os dois usavam chapéus brancos. Dona Adélia não resistiu ao convite cortês do futuro marido. "Eu falei: vamos tomar uma cerveja? E então ela disse que sim", resume seu Fortunato.

Naquela época, namorar era bem diferente. "Era um aqui e o outro lá do outro lado", lembra. Um dia, o sogro perguntou se ele gostava de Adélia. Se consumava ali o pedido de casamento. Os noivos casaram e partiram para uma grande festa em família. Seu Fortunato gargalha quando lembra como foi feito o trajeto de um ponto a outro. "Nós fomos de carroça".

Um ano depois veio o primeiro filho. Ele trabalhava na roça. Ela demonstrava vocação para a área médica. Lia e estudava temas relacionados à saúde porque se encantava com o trabalho das enfermeiras. Acabou virando parteira e sempre foi muito requisitada para aplicar injeções. Como pai e avô, Fortunato só recebe elogios. É carinhoso e brincalhão de um jeito admirável. É fácil flagrá-lo contemplando filhos, netos e bisnetos em uma mistura de admiração, orgulho e reverência.

Todos os filhos estudaram e se formaram. Os que continuam em Joinville, onde a família vive há 28 anos, não passam mais de três dias longe. "Se fico três dias sem aparecer, ele já brinca que parece que ficamos um mês separados", conta Carmen, a caçula.

Existe uma receita para uma união tão duradoura. E seu Fortunato não faz nenhuma questão de escondê-la. Está no bom humor deste homem de 94 anos, que todo dia joga cartas e cuida da horta no quintal de casa. Está no carinho dos filhos, educados com todo o amor do mundo. E está nos beijos carinhosos que compartilha diariamente com a mulher que escolheu passar a vida. Toda esta bela rotina de amor se repetiu, no último mês, numa casa da rua Guarani, no bairro Floresta, em Joinvile, quando estes namorados completaram 70 anos de união.

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Sobre João Casmurro

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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