"DIVÃ" FALA DA MULHER COM DRAMA E HUMOR

Uma sala de terapia pode ser a melhor maneira para abrir o coração e a alma. É com esse cenário que a personagem de Lilia Cabral conta o rompimento de uma fase e a entrada para outra depois de vinte anos de casamento. Com dois filhos já moços, Mercedes cai em si da vida sem cor que leva. O marido, que foi tão amado tempos atrás, tornou-se um grande amigo, mas nada que empolgue seus sonhos de vida. Profissionalmente ela dá aula particular de matemática enquanto acalenta o desejo de ser artista plástica. Sua melhor amiga não almeja nada, e nem ao menos entende o porquê de Mercedes estar insatisfeita em um quadro cotidiano tão tranqüilo. Mas ela quer compreender a própria inquietude, ela quer ousar sentir emoções vividas aos vinte anos de idade, quer ver e ser vista por um homem. O marido, Gustavo, também está infeliz. Sabe que ama a esposa, mas não se sente mais apaixonado por ela. Afinal, qual a diferença entre amor e paixão? Dizem que a paixão dura apenas três anos e depois se transforma em amor, um sentimento mais calmo, e que, com os anos de convivência, esse amor, antes de homem e mulher, modifica-se para algo quase fraternal. É Gustavo que primeiro percebe o grande amor da juventude terminar. Ele olha para mulher com gratidão, tristeza e pensa: “ Gostei muito! Pena que acabou!”.

Pois é, a paixão acaba, e às vezes o amor também. Não o amor quase fraternal que desenvolvemos ao longo dos anos com o pai ou a mãe de nossos filhos, mas o amor homem e mulher. Gustavo se arrisca a ter outro relacionamento ainda casado e Mercedes, ao perceber, não consegue recriminá-lo. Ela acaba se dando também o direito de se aproximar de um homem lindo, jovem, encantador e que não quer um relacionamento sério. Com ele seria a diversão, o parêntese no dia a dia, para depois voltar ao porto seguro da família. O amante é interpretado por Reynaldo Gianecchini, que deixa qualquer uma com os olhos brilhando. São com ele as cenas mais engraçadas do filme. Apaixonada, Mercedes grita esse sentimento que sai pelos seus poros, a felicidade existe novamente na mulher madura. É com ele que experimenta maconha, ri como uma adolescente da situação, entrega-se de corpo, o que é comum em uma relação de amantes, mas talvez exagere na entrega da alma. Com o fim do relacionamento, chora como uma jovenzinha que pela primeira vez levou um fora. A partir daí, as sessões da terapia já não são tão engraçadas. Tem sofrimento nas palavras, tem angústia, e principalmente tem medo. Medo do futuro, medo de ficar sozinha depois de romper o casamento, medo de ter tomado a decisão errada.

Já separada, sai com um garoto interpretado por Cauã Reymond. Essa é uma das cenas ( que para alguns pode ser engraçada) mais patéticas da personagem. Perdida em um ambiente que não é seu ( ele a leva a uma boate gay), tenta se divertir, mas é uma diversão falsa, uma diversão que não vai fazê-la feliz durante mais que quinze minutos. Uma aventura que não lhe deixa nada, apenas vazio.

A trilha sonora (maravilhosa) faz o espectador entrar totalmente na trama e ao final estamos íntimos daquela personagem, somos amigos da Mercedes, queremos bater papo com ela, dar-lhe conselhos, trocar experiências. O longa, dirigido por José Alvarenga Jr., é um filme para adultos, para quem ama ou já amou e sabe o que significa entrega total em um relacionamento. Nem é preciso dizer que Lilia Cabral está maravilhosa, com uma interpretação intimista, mesclando comédia e drama como só uma grande atriz sabe fazer.
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Sobre João Casmurro

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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