Tenho tido dias tristes e longos, onde percorro minhas saudades antigas, meus poetas, meus cacos e não acho nada de mim por onde passo...Só meus passarinhos.

Continuo guardando cheiro de coisas e pessoas, meu acervo de memória olfativa... Chego a abraçar meus fantasmas, de tão reais os cheiros.

Entrei no país do sono, os fones mandam uma música distante... Que se repete... Você?! Pergunto de você, ela me responde que não sabe... que não ouviu... E fico com os fantasma que me são tão preciosos. Olhar perdido, querendo ficar nesse escuro confortável... Meu cigarro?...Quanta falta!... Tenho que ir em breve pra luz... Serão dias longos até que eu possa retornar.

Sempre penso que se sinto, é que ainda não terminou... E nunca sei que medo é esse...Que dói, que anula.

Hálito frio de dementador... E nem sei mais conjurar patrono...
Bom esse mundo onde tudo é tão comodamente arrumado, meus passarinhos, meus caldeirões com porções quentinhas. Tenho que ir pra dias de sol... Meu inverno está acabando, gosto da primavera. Temo que tenha passado muito tempo aqui pra que veja as flores.

Absurdamente cansada!...O ópio me parece leve.
Que escuro reparador... Sons me incomodam, gosto apenas quando meus passarinhos cantam e enchem meus dias de sombra, de cantos que amo.

Sobrevivo por ter passarinhos cantantes. E as sombras voltam. Tudo me comove, fujo pro canto escuro e levo junto meus passarinhos; eles nunca ficam. Olhar parado, no frio, nessa tempestade interior que insiste em não deixar mudar as estações e chegar a primavera...

Sons?... Preciso sempre desse silêncio tão meu, sozinha com meus passarinhos. Me chegam as notícias do mundo, me comovem dolorosamente, a dor do outro, me puxa momentaneamente das sombras e vejo pessoas que choram dores mais fortes que a minha. O medo?... Não sei falar dele... Fica sempre ali minando e sabotando sonhos... E meus passarinhos cantores de sons que amo, chegam cheios de penas coloridas na cor que gosto... Se foi o medo. Não preciso de coisas além daqui...Você passou como o ruido lá de fora... Procuro no meu acervo olfativo teu cheiro, não está lá... Foi embora junto com teu ruído e minha gargalhada.

Perco o olhar no vazio, tentando aguçar o ouvido pra escutar sons... Nenhum que reconheça como teus passos e assim sigo, assim triste, assim distante, assim indiferente, só não a dor, ela sim me desperta.

Envelheci, constatação que não incomoda, ainda me vejo menina, sonhando com passarinhos só meus e medos infantis, em que eu corria para meu colo protetor e eles iam embora... Hoje tenho meus passarinhos e meus medos, agora tão adultos e cruéis, meu colo, que protegia se foi...Pra onde correr? Ainda tenho meus passarinhos. Momentos de sanidade me são tão raros... Relembro cheiros. E lá fora o mundo chama...Não vou sair assim, ainda é tempestade... Meus passarinhos de volta... Que bom ouvir, enfim juntos... Em meus momentos de sanidade ouço seus sons...Que bom! Todos no ninho.

Assim passam meus dias de tempestade, chegando os cheiros da primavera, que promete ser fria, com dias de pouca luz, ainda assim sairei do ninho com meus passarinhos e os deixarei voar em meio as flores, depois retornaremos em segurança, pois a tarde parece que chove... Que venha a chuva que venha o frio, que volte o medo, estarei no ninho quieta e acarinhada.

Colaboração : BGóis
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Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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