Não sou saudosista, pelo menos não desses que ba­bam em cima de tudo que se relaciona ao passado e que sempre sacam um "no meu tempo...", princi­palmente se estão numa roda de jovens.Mas de uma coisa eu sinto saudade, tenho que confessar. De como se amava mais e melhor... "no meu tempo". Pre­tensão minha? Pode ser. Mas não é difícil perceber que hoje o amor transformou-se num sentimento banal, que tem a eternidade de uma borboleta.

Fico pasmo de ver como as mulheres amam e desamam com a mesma intensidade. E o que era paixão na segunda-feira ressurge como indiferença na sexta. E o homem, que até então não era ninguém, transforma-se no grande amor de uma vida, alguns dias depois.

Abro uma revista e leio que fulana está feliz como nun­ca e que agora, com a vinda do primeiro filho, alcançou a plenitude absoluta. Que ela e o marido vivem num mar de rosas, desfilando pela cidade como se fossem carros alegóri­cos. E pouco tempo depois leio, nessa mesma revista, que romperam a união e que cada um, agora, está repensando a própria vida e tentando descobrir o que estava errado.

E passada mais uma semana ou duas, lá vem outra vez a mesma revista mostrando fulana já com um novo par, repe­tindo: "encontrei finalmente o grande amor da minha vida!" Ténue felicidade, alegria rala, o filho fica com a sogra e lá vai ela, linda e loira (ou morena), a caminho de Paris, ao en­contro de fulano, que a espera. E somos brindados então, na semana seguinte, com fotos sensuais, em que ambos se exi­bem no Castelo de Caras.

Gira o carrossel e logo tudo se repete: novo amor, nova separação, novo amor, nova separação. Como pode um coração ser tão volúvel? O que há de er­rado nessas relações entre jovens, que se transforma, conti­nuamente, numa sucessão de enganos e desenganos? Con­fesso que não sei.

Ao conversar sobre o assunto com a minha filha Júlia, de 23 anos, ela argumenta que no meu tempo havia mais hipo­crisia do que hoje e que as mulheres aguentavam uma rela­ção infeliz por não terem coragem de rompê-la e enfrentar, com isso, a censura da família e da sociedade. Em parte, fúlia tem razão, mas são tantos e tão frequentes os laços que se desfazem, que a mim custa crer ser tudo isso fruto da since­ridade e da independência feminina. Parece que ouço minha mãe:

— No meu tempo o amor atraía e amedrontava. Temia-se amar demais e com isso perder o controle das próprias emoções. E citava Casemiro de Abreu:

Quando eu te fujo e me desvio cauto da luz de fogo que te cerca,
oh! bela, contigo dizes, suspirando amores:
— Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!
Como te enganas! meu amor é chama
que se alimenta no voraz segredo.
E se te fujo é que te adoro louco...
És bela — eu moço; tens amor — eu medo!

Amar e ter medo de amar demais. É, no tempo da minha mãe tudo era mesmo muito diferente. Ela era uma jovem de 18 anos em 1918! Mas do meu tempo de juventude plena, anos 1950, não estamos tão distantes assim!

Meu filho Pedro leu esta crónica antes que eu a enviasse à revista. Fiquei curioso:

— E aí, filho?
— O que mais me chamou a atenção nesse texto foi a comparação com a borboleta. _?
— Quanto tempo vive uma borboleta?
— Que borboleta, filho? — indaguei, perplexo.
— Você diz aqui que o amor transformou-se num senti­mento banal, que tem a eternidade de uma borboleta. Admirado, só então me lembrando da frase, balbuciei:
— Vivem, em média... duas semanas. E ele concluiu:
— Não sabia. Legal.

E mais não disse. E mais não lhe perguntei. Fiquei chapa­do com tanta objetividade. Pedro tem 14 anos. Eu desconfio que ele esteja amando. Mas não me parece que ele sinta medo. Começo a me achar um dinossauro.

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Sobre João Casmurro

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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1 comentários :

  1. "SALVE POMBA-GIRA, MARIA PADILHA DAS ENCRUZILHADAS, FAZEI QUE (FULANO) FIQUE PARA SEMPRE COMIGO, POMBA-GIRA TRAZEI-ME (FULANO) PARA MIM, ASSIM COMO O GALO CANTA, O BURRO RINCHA, O SINO TOCA, A CABRA BERRA, ASSIM TU, (FULANO) HÁS DE ANDAR ATRÁS DE MIM, ASSIM COMO O SOL APARECE, A CHUVA CAI, FAZEI SER DOMINADO POR MIM, PRESO DEBAIXO DO MEU PÉ ESQUERDO (FULANO)COM DOIS OLHOS TE VEJO, COM TRÊS EU TE PRENDO COM MEU ANJO DA GUARDA PEÇO QUE (F.V.L) ANDE ATRÁS DE MIM, COMO UMA COBRA RASTEJANTE, QUE ME AME LOUCAMENTE, QUE SÓ SINTA DESEJOS POR MIM, QUE NAO CONSIGA OLHAR COM OLHOS DE DESEJO PARA NENHUMA OUTRA MULHER OU HOMEM, QUE NÃO SEJA EU, QUE ATENDA TODAS AS MINHAS VONTADES, QUE NUNCA ME FAÇA SOFRER, QUE DURMA E ACORDE PENSANDO EM MIM E QUE SEMPRE ME TENHA EM SEU PENSAMENTO, QUE NAO CONSIGA VIVER SEM MIM, QUE SEUS PENSAMENTOS E DESEJOS SEJAM SEMPRE VOLTADOS PARA MIM, QUE SEJA CARINHOSO, ROMANTICO COMIGO, QUE ASSIM SEJA. PELO PODER DE SAO CIPRIANO, ASSIM SEJA. (FULANO) VAI VIR ATRÁS DE MIM , RASTEJANDO, HUMILDE E MANSO, PARA QUE POSSAMOS TER BOM CONVIVIO E ASSIM SERMOS FELIZES. PEÇO A SAO CIPRIANO QUE (FULANO) ME PROCURE HOJE AINDA. PEÇO ISTO AO PODER DAS TRÊS ALMAS PRETAS QUE VIGIAM SAO CIPRIANO, ASSIM SEJA. (FULANO) ME ASSUMA DE VEZ, QUE OS INIMIGOS NAO NOS VEJAM, ASSIM SEJA".

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