"Tenho acompanhado o Grupo, lendo as mensagens e fico feliz pois entrou muita gente nova querendo fazer amizade e eu me coloco à disposição para fazer amizades com as pessoas que estiverem interessadas. Pude perceber, também, que além da amizade muitas pessoas procuram algo mais. Eu quero dar um depoimento e falar que eu conheci alguém aqui na Rede de Amigos, primeiro nos tornamos amigos e hoje ele quer me conhecer pessoalmente e estamos teclando virtualmente com o intuito de nos conhecermos na realidade. Então, para aqueles que querem encontrar aquela pessoa especial, não desanime, pois pode dar certo sim.Uma linda semana a todos". Sandra Luzia
"Eu nao acredito mais nesse tipo de relacionamento.... Os homens não são capazes de corresponderem ao amor de uma mulher. Agora tenho certeza de que a única pessoa que e capaz de amar de verdade são as mães...." Isis

Como podem ver, os leitores, embora mobilizados pelo mesmo e arrebatador sentimento, dividem-se quanto à pureza, a qualidade e intensidade do amor. De minha parte, lamento que o descrédito nos homens leva algumas leitoras a desacreditar no amor. Poderia relacionar aqui uma série de motivos e exemplos em sentido contrário, principalmente os inúmeros depoimentos das leitoras de nossa página. Afinal, falamos do sentimento que não se esgota nunca. Como bem observa o novelista Manoel Carlos, em seu livro "A arte de reviver" (Ediouro), a beleza e os sentimentos nos deixam inseguros. Vale lembrar os versos de Manuel Bandeira, já neste espaço mencionados uma vez, que tratam magistral­mente do tema:

O que eu adoro em ti
não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe,
a beleza é um conceito
e a beleza é triste.
Não é triste em si, mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

A mesma sensação temos diante do amor, que nos des­concerta e nos desorienta. Quantas vezes ficamos paralisa­dos diante desse sentimento, sem saber que caminho tomar, o que fazer. Augusto dos Anjos, no belíssimo soneto "Idea­lismo", exclama: "O amor! Quando virei por fim a amá-lo?" Me parece que está aí a possibilidade de acerto: amar o amor. Ou como nos ensina Drummond em sua antologia: "amar se aprende amando".

Quem já não se viu, indagando de si mesmo: amo pouco, amo demais, não amo? E ainda mais crucial, com a dúvida: será que o que sinto é amor, amor de verdade? Ou vai passar, como outros passaram?Manoel Carlos relata, para exemplificar, a história de uma jornalista sua amiga, que cada vez que o encontra anuncia um novo amor.

"Ainda ontem, ela me pegou na garagem:
— Estou amando outra vez!
— Parabéns.

E já desliguei o motor, porque os encontros com Selma são sempre demorados. Ela continuou, com a corda toda:

— Quer dizer: outra vez, não, porque desta vez é pra va­ler! Agora que eu vejo como estava enganada com o Luiz e com os outros todos! Não era amor o que eu sentia! Aliás, percebo que nunca amei, a não ser agora. O que eu sentia por eles era... era outra coisa, que eu não sei definir. Só sei que não era amor! Esse agora mexe mesmo comigo, me dei­xa zonza, muitas vezes me tira a paz, mas também me faz rir. Olha: hoje eu sei que rir é fundamental no amor. E que não se deve amar, nem mesmo chegar perto, de homem carrancudo, mal-humorado, porque esses defeitos são doen­ças, doenças terrivelmente contagiosas. E quando nos da­mos conta, estamos também de mal com a vida. Lembra do Ricardo, do Sérgio, do Rodrigo? Com eles eu vivia pra baixo e chorava por qualquer coisa! Agora eu aprendi a rir, a ser feliz!

E antes que eu dissesse qualquer coisa:

— Tenho uma foto dele aqui pra te mostrar. Olha só. Tiramos em Búzios, domingo passado. Não olha pra mim, que eu estou gorda! Olha pra ele. Não é uma gracinha? Se chama Mauro. Ele é tudo que eu podia desejar. Agora, tem uma coisa importante: não apresento pra amiga nenhu­ma. Não mostro nem a foto, porque o Edu, lembra do Edu, que jogava ténis? O Edu era mais ou menos assim como o Maurinho, alegre, solto, e acabei perdendo ele para uma amiga, a Neide, você conhece! Tremenda sacanagem! Mas aprendi: agora só apresento namorado pra amigo. E de­pende do amigo, porque você sabe como é: os homens hoje são todos bi. Saiu até matéria sobre isso nos jornais!

Você viu?
— Não, acho que não — disse eu, já meio confuso.
E ela encerrou com chave de ouro:

— Olha: homem mesmo, como antigamente, como meu pai, está muito difícil de encontrar! Bem, to indo pra rua, fa­zer uma matéria sobre o assunto. Bye. Vou te apresentar o Maurinho! Esse vai ser o meu amor pra sempre! Eterno! Vai me fazer casar de noiva e ter pelo menos dois filhos!

E lá se foi a Selma, vaporosa e linda como sempre. E en­quanto ligava o carro e saía lentamente da garagem, pensei: eterno? Até quando? E como comecei com Manuel Bandeira, com ele termino:

Aquele pequenino anel que tu me deste,
— Ai de mim — era vidro e logo se quebrou.
Assim também o eterno amor que prometeste,
— Eterno! Era bem pouco e cedo se acabou".
Compartilhe no Google Plus

Sobre João Casmurro

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
    Deixe seu comentário
    Comente no Facebook

1 comentários :

  1. Entendo perfeitamente o desencontro de almas gêmeas. Até pouco tempo eu não tinha muito interesse nesse assunto, mas comecei a pesquisar devido a uma forte percepção e intuição de que encontrei a minha. Encontrei, o sentimento que nos une é muito verdadeiro e intenso, mas ele é casado, foi meu professor e eu estou com uma pessoa há anos. Hoje em dia é impossível ficarmos juntos, tanto que nunca rolou sexo, somente tivemos muita conversa, alguns beijos...Mas as lacunas da minha vida foram preenchidas com os poucos momentos que tivemos juntos e ele relata sentir o mesmo por mim. Percebo de longe o que ele sente e sei que nós dois melhoramos muito a vida do outro e pensamos da mesma forma: hoje não podemos ficar juntos pois faríamos muitos sofrerem, portanto só nos dois sofremos...Isso já dura 9 anos, desde qdo nos vios pela primeira vez e o destino cortou, no ano passado a vida nos colocou frente a frente outra vez e cortou de novo. Mas hoje entendo que posso viver sem ele perto fisicamente de mim; vou me casar com outra pessoa. Mas tenho convicção de que não foi e não é por acaso e sei que será pra sempre...

    ResponderExcluir

Deixe aqui seu recado ou depoimento, de forma anônima se preferir. Respeitamos a sua opinião, por isto recusaremos apenas as mensagens ofensivas e eventuais propagandas. Volte sempre!

REGRAS PARA COMENTÁRIOS:

O espaço de comentários do Blog Amor de Almas é essencialmente livre, mas pode ser moderado, tendo em vista critérios de legalidade e civilidade. Não serão aceitas as seguintes mensagens:

1. que violem qualquer norma vigente no Brasil, seja municipal, estadual ou federal;
2. com conteúdo calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade, ou que desrespeite a privacidade alheia;
3. com conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas;
4. com linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica;
5. de cunho comercial e/ou pertencentes a correntes ou pirâmides de qualquer espécie;
6. que caracterizem prática de spam;
7. são aceitos comentários anônimos, contanto que não infrinjam as regras acima.

A REDAÇÃO:

1. não se responsabiliza pelos comentários dos frequentadores do blog;
2. se reserva o direito de, a qualquer tempo e a seu exclusivo critério, retirar qualquer mensagem que possa ser interpretada contrária a estas Regras ou às normas legais em vigor;