“Faltou ele falar nessa loucura que é a vida: o que a gente faz com um amor que não rolou, que não fluiu, enfim que não aconteceu... mas aconteceu dentro da gente. Sim porque ao ler várias histórias de vida postadas aqui, vejo que essa loucura não é exclusividade minha... existem muitos loucos por aí... Então penso que a vida pode ser assim um banquete tradicional com tudo no lugar, amores, casamentos, trabalho, pessoas centradas mas sempre pessoas que se amam, se odeiam, esperam demais dos outros, enfim uma vida. Mas nesse banquete não tem lugar para um amor assim... que mora dentro de um coração desde sempre sem jamais ter acontecido de verdade. Não tem nome isso, não tem lugar na vida de ninguém, não se encaixa em qualquer lugar da mesa, não cabe, entende? Mas existe e não é invisível. Tá lá procurando seu espaço, seu nome. E aí, quem explica isso??? Ninguém sabe, ninguém viu. É muito louco.
Nessa diversidade não tem lugar pra essa coisa que carregamos e sequer sabemos o nome. Uma lembrança de uma vida?? De uma outra vida ??? Mas e aí... tudo tem seu lugar no mundo, menos esse sentimento que sequer pode ser chamado de sentimento. Sim, porque ele está lá no meu coração desde sempre. A vida segue seu curso normal com tudo o que se tem direito, amor, trabalho, filho, amizades que vem e que vão, alegrias, felicidades sem fim, mas essa coisa lá dentro esperando pra nascer?! Um nome?! Amor platônico???! Não creio, pois nada nunca impediu sequer outros amores, grandes paixões e uma vida certinha. Então qual o nome desse bichinho alojado em um coração que nunca esquece o que sequer viveu. Qual o nome que se dá para uma saudade do que não aconteceu, de um sorriso que nunca se viu, ou se viu já nem se lembra mais???
Esse bichinho que persiste dentro do meu coração não dói, não incomoda, não me faz feliz nem infeliz, simplesmente existe. Apenas gostaria de saber qual seu nome, seu propósito e acima de tudo... qual sua finalidade em uma vida inteira”.
Betty Boop (comentário à postagem Quando Acaba)


O depoimento que recebemos fala da quase incompreensível “saudade do que não foi”. Algo difícil de definir ou de compreender, principalmente para aqueles que passam longe de sentir algo parecido de seja. E a pergunta, quase sempre frequente, é: que sentimento é este? Vivo uma obsessão? Como entender ? Mas a resposta, apesar de prosaica, é precisa. Falamos do amor em sua forma quase perfeita. Um sentimento que ousamos chamar de ‘amor absoluto’. Isto porque não vive das convenções, das conveniências sociais, não se abala pelas frustrações da vida e que não se enfraquece com a rotina estressante do cotidiano.

Falo de um amor conhecido pelos autores e autoras de inúmeros depoimentos do blog e que é aquele amor que, de perturbação e desespero, passa a ser um amor de desprendimento. Que sobrevive aos anos, às relações e mesmo às decepções com o ser amado. Um amor que, não raro, encontra espelho até mesmo em um parceiro que ainda sequer encontramos na vida, mas que temos certeza que existe, perdido em algum canto do planeta. E, só com esta certeza, já ficamos tranquilos. Afinal, pior do que o fardo de não ter seu companheiro (a) de vida, é o fato de jamais ter sentido um grande amor. Mesmo que este amor ainda não tenha espelho... Daí o aparentemente absurdo. Ter saudade de algo que não aconteceu, de experiências que não vivemos, mas que sabemos ser capazes de vivermos pelo simples fato de termos dentro de nós um amor tão perfeito, tão absoluto.

A Betty Boop e às inúmeras leitoras – comumente mulheres, pois homens não se dão, publicamente, ao despudor de amar sem razões concretas – fica apenas um sentimento de cumplicidade. Quem vive ou já viveu um “amor absoluto” sabe do que estou falando e certamente já se sente gratificada por compartilhar um segredo tão raro quanto precioso. Quem ainda não viveu, não se preocupe ou tente entender, busque neste blog por outras tantas postagens mais concretas e deixe de lado os inveterados “sonhadores” (assim chamados os portadores do vírus do “amor absoluto”). Enquanto nós, com um indisfarçável sorriso, entendemos que somos um pouco diferentes e um tanto especiais por vivermos este sentimento.

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Sobre João Casmurro

Esta não é uma página pessoal. Todo o material é compilado por uma equipe de colaboradores, coordenada pela editora Ana Carolina Grignolli, jornalista especializada em comportamento.
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1 comentários :

  1. Cheguei ao fim desse texto derrubando muitas lágrimas. Cada palavra representa exatamente o que vivi... ainda vivo, mas de outra maneira que tampouco tem explicação. Tive muitas experiências amorosas, mas nunca levei nada a sério. Até que o "amor de almas" apareceu... Nos apaixonamos após trocarmos poucas palavras num site de relacionamentos. Passamos para MSN, emails e telefonemas. Mas devido à distância e outros problemas nosso encontro sempre era adiado. O fato é que a cada desencontro ao invés de desistirmos... que nada... fomos nos fechando para o mundo pois nosso amor tinha nome e endereço. A cada dia que se passava nos apaixonávamos mais e mais. Até que o destino nos pregou uma peça e ela adoeceu. Estávamos distantes e nem sua remoção ao hospital eu pude acompanhar. Uma vez que ainda não tinhamos nos conhecido, a família dela não aceitou minha presença sequer no hospital. Aconteceu que Deus a levou e perdi o único e verdadeiro amor da minha vida. Mas como Deus é grande demais pra que as coisas fossem assim tão simples... 10 dias após o ocorrido descobri algo que não fazia a menor noção... mediunidade. Desde então ela se comunica comigo... e assim vou levando meus dias até o dia em que passaria dessa vida e poderei ficar ao lado dela.

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