Eles fizeram sexo durante 101 dias corridos. Para estudioso, "há uma relação estreita entre a freqüência das relações sexuais e considerar um casamento feliz"
Digamos que você e seu cônjuge não fazem sexo há tanto tempo que você nem consegue lembrar qual foi a última vez. Não o dia. Não o mês. Talvez nem mesmo a estação do ano. Será que você vai buscar sua satisfação em outro lugar? Vai pedir o divórcio? Ou chegará para seu parceiro e dirá, "Querido(a), sabe, estive pensando. Por que não transamos durante 365 dias seguidos?"Foi mais ou menos isso que aconteceu com Charla e Brad Muller. E num outro exemplo de aventura erótica que suplantou a insatisfação conjugal, um segundo casal, Annie e Douglas Brown, embarcaram numa jornada similar, um tanto mais curta: 101 dias corridos de sexo pós-nupcial.
Ambos casais documentaram suas explorações em livros. Os casais, apesar disso, não são quase nada parecidos. O livro dos Muller ("365 Noites") é modesto e circunspecto; já o livro dos Brown ("Simplesmente Faça"), faz com que o leitor compartilhe tudo o que eles usaram para estimular o desejo. De fato, reacender o desejo mútuo de um casal tem alimentado toda uma indústria terapêutica. De acordo com o estudo "Comportamento Sexual Americano", feito pela Universidade de Chicago em 2004, casais casados tem relações sexuais cerca de 66 vezes por ano. Mas esse número é distorcido pelos casais recém-casados, de até 18 anos, que fazem sexo em média 84 vezes por ano. "Há uma relação estreita entre a freqüência das relações sexuais e considerar um casamento feliz", diz Tom W. Smith, que conduziu o estudo.
Será que esses casais forneceram alguma resposta? Fazer sexo todas as noites tornou seus casamentos e suas vidas mais felizes? ."Isso pode reacender nosso casamento", pensaram eles. E, então, mudaram de cenário com freqüência. Annie até mesmo forçou seu marido a fazer sexo durante um ataque de vertigem. "Não sou alguém que desiste", disse ela. "Na noite em que ele sentiu tontura, eu disse: 'Desculpe, moço, mas você precisa continuar." A média foi de 26 a 28 encontros por mês."O espírito do presente não era manter um recorde", disse Charla. "Depois que ele viajava, nós tentávamos compensar, mas não era obrigatório."As mulheres são vistas com admiração, se não com inveja, por suas amigas.
"Minha primeira reação foi 'por favor, não conte ao meu marido'", diz Sydney Coffin, amiga de Charla. Annie Brown agora é vista como uma verdadeira terapeuta sexual por suas amigas. Sua aventura até mesmo inspirou a amiga Diane Elliston a desligar a televisão do quarto. "Fizemos sexo todo dia, durante três dias", disse Elliston. Encarar o sexo como uma maratona pode não ser a solução para todos os casamentos estagnados. Lois Braverman, presidente do Instituto Ackerman em prol da Família, preveniu os casais : "Alguns casais estão totalmente satisfeitos ao fazer sexo uma vez por semana, às vezes duas, alguns duas vezes por mês", disse. "Não há um número de vezes que seja o ideal."
A terapeura Shoshana Bulow, aponta para o fato de que o sexo é muito mais complexo do que a freqüência. Mas os autores contam que a obrigatoriedade da intimidade física criou mais intimidade emocional. "Era necessário um senso de perdão e gentileza diário, deixar de ser pavio curto e de se irritar, o que acho que nenhum de nós havia experimentado antes", disse Charla. Annie disse que ela e o marido chegaram a um patamar no relacionamento que eles raramente atingiram desde então. Hoje, os Brown dizem que fazem sexo aproximadamente seis vezes por mês, que dobraram sua atividade sexual depois da maratona. Os Muller se recusam a discutir seus hábitos, exceto para dizer que estão dentro da média nacional. E, segundo Brad, o sexo entre eles é melhor.
Ralph Gardner Jr. (Tradução: Eloise De Vylder)
Publicada originalmente no The New York Times. Leia texto integral.
Publicada originalmente no The New York Times. Leia texto integral.
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