Acho que o amor precisa ser desmistificado, precisa, com o tempo de um "choque de realidade". O amor ainda é poesia, encantamento, deslumbramento... É uma nuvem rósea num céu azul, um encaixar de peças, uma confirmação da graça da vida. O amor é perfeito... Mas nós não o somos. Em seu livro "Onze Minutos", Paulo Coelho diz que entendia o amor como uma espécie de escravidão consentida. Posteriormente, concluiu que "a liberdade só existe quando existe amor". E assevera : "Mas no amor cada um de nós é responsável pelo que sente e não pode culpar o outro por isso.(...) E esta é a verdadeira experiência da liberdade : ter o mais importante do mundo sem possuí-lo". Este conceito de "consentimento", de "aceitação" e de "liberdade"' também é encontrado no autor norte-americano Neale Donald Walsch. Para ele, a liberdade é a essência do amor, sendo que "a palavra amor e a palavra liberdade são intercambiáveis".
Sua conclusão é de que "quando amamos, nunca procuramos limitar ou restringir de qualquer modo aquele que amamos". O amor diz : "O que eu desejo para você é o que você deseja para si mesmo". O amor diz : "Escolho para você o que você escolhe para você". Quando digo : "Escolho para você o que eu escolho para você", não estou amando o outro. Estou me amando através de você, porque estou tendo o que quero, em vez de ver você tendo o que quer. Acabou a era do amor "docemente egoista", permitido e consentido.
Quem ama verdadeiramente, cedo ou tarde, percebe que precisa se confrontar com outros sentimentos para preservar aquele. Precisa amar genuinamente, sob risco de perder quem ama, mas caindo na graça de preservar o sonho. Por isto acho que amar ainda é um sonho real.
Nota : Passamos, a pedidos, a publicar alguns textos que
integram os tópicos da nossa Comunidade no Orkut (26/06/06).
0 comentários:
Postar um comentário