"Tenho 27 anos, já namoro há 7 anos e meio e sou noiva há seis meses. Nunca amei o meu namorado, mas o tempo foi passando eu me acostumei com ele e a gente ia até se casar. Mas a minha vida nos últimos meses parece que virou do avesso. A historia é essa: estava olhando as fotos do Orkut de uma amiga minha, quando vi a foto de uma pessoa e a imagem dele não mais saiu de meu pensamento. É uma coisa muito estranha, sem explicação. Não comentei com minha amiga, só perguntei quem era ele. O tempo foi passando e tudo isso ficando cada vez mais forte, até que adicionei-o ao meu Orkut e ele me pediu o MSN. Na nossa primeira conversa ele me perguntou como o tinha achado e disse que o achei “bonitinho”. A gente se falava com freqüência, quando descobri que ele tem uma namorada. Nada muito sério, mas ele gosta dela.
Um dia eu estava muito angustiada e desabafei. Ele foi muito atencioso comigo. No momento fiquei feliz; mas a angustia acabou aumentando, afinal agora ele sabe de tudo. Depois de tudo isso , não consigo nem mais olhar para o meu noivo. Na minha cabeça só tem ele. É como se ele já fizesse parte da minha vida, embora a gente nunca tenha se visto pessoalmente. Não tenho duvida do que eu sinto por ele; é algo que jamais sentirei por outra pessoa.
Não tenho ninguém pra me ajudar. Será que ele é a minha alma gêmea??? Eu sinto isso !!! Mas se é, porque não sente o mesmo que eu? O que faço da minha vida. Não agüento mais." (J. - do Grupo Amor de Almas)
Na verdade você trata de dois problemas como se fosse um. Reconheço que isto não é uma notícia muito promissora, mas o fato é que o drama que você coloca pode e deve ser analisado separadamente. Primeiro, seu namoro de sete anos, que como tantos outros derivou para o comodismo e apresenta um noivado e um casamento como fatos consumados. De outro lado, um amor que surge do nada (como, aliás, todos os amores) e que parece arrebatador e imperdível.
Quanto a seu relacionamento, a falha principal é a ausência de amor, que embora você não conhecesse até então, nunca poderá ser confundido com afeto, cumplicidade, pena ou mera comodidade. Você e seu namorado caíram nessa armadilha e, por uma série de razões (medo da solidão, desejo, pressão familiar ou dos amigos), foram “levando” um encontro que talvez nunca tenha sido apaixonado. São os males da convivência quando deixamos de sonhar com o amor. Acabamos nos deixando enredar por namoros sem personalidade, nos quais o mais afetuoso que podemos dizer é que estamos “acostumados” com o outro. Um erro. E um erro que pode ser fatal se acabar em casamento, um casamento invariavelmente infeliz ou, na melhor das hipóteses, insosso, sem vida, sem alegria.
Posso estar parecendo dura, mas se assim não fosse certamente não haveria espaço para a chegada de alguém. E nem digo alguém especial. Pode ser que este rapaz que conheceu sequer seja seu amor de almas; pode ser que o encantamento inicial passe, tão repentinamente quanto surgiu. Mas demonstra, evidentemente, que há algo errado na sua vida amorosa.
Então, o primeiro passo é resolver um problema por vez. Não condicione seu futuro relacionamento com o atual, pois estará criando vínculos que não existem e que apenas trarão remorso, dor e arrependimento. Pense que se algo não vai bem em seu noivado não é por causa desse amor que surge, mas sim porque não há uma afinidade legítima. E, se estou correta, o melhor caminho é interromper este caminho que a levará ao desastre ou à incerteza de saber se “poderia ser diferente”.
Já, quanto ao amor que surge, não o responsabilize pelas suas decisões. Se decidir romper seu noivado, apenas comunique a ele e se distancie. Se sentir o mesmo por você, saberá que o está esperando e qual a atitude que terá que tomar. O fato de este homem ser ou não seu amor de almas não quer dizer que esteja no “mesmo momento” que você. Talvez ambos sejam almas afins, mas em tempos diferentes e a união perfeita aconteça nessa ou apenas em outra vida. Mas como dissemos em outra postagem (Se era realmente amor, porque acabou?), devemos encarar o amor como um sonho possível e apostar nele. Há o risco do desencantamento, mas é imensamente menor que a frustração de não ter tentado e, ainda que este não seja seu “amor verdadeiro”, estará livre para tentar novamente e leve ao saber que fez a sua parte em favor da felicidade. Mas a regra básica é “não force”. Não exija o amor, não cobre, não provoque pena ou compaixão. O amor de almas é precioso e não merece isto.